
Treze anos de espera — contados a partir do último trabalho totalmente inédito — é uma eternidade na indústria da música, mas para os Masterplan, o tempo parece ter servido apenas para destilar a sua essência. Com Metalmorphosis (2026), o sétimo álbum de estúdio, a banda alemã não só regressa, como se posiciona num patamar de maturidade técnica que poucos grupos no género conseguem alcançar.
Se o Masterplan sempre viveu na sombra da génese pós-Helloween de Roland Grapow e Uli Kusch, este álbum é a prova definitiva de que o projeto é muito mais do que um grupo dissidente; é uma das forças mais elegantes e refinadas do Power Metal moderno.
Avaliação: Masterplan – Metalmorphosis (2026)
A Telepatia de uma Formação Consolidada
O que sobressai logo nas primeiras audições é a coesão. A formação composta por Grapow (g), Altzi (v), Mackenrott (k), Kainulainen (b) e Kott (d) toca com uma intuição quase telepática. Não há desperdício de notas; há uma economia de esforço que, ironicamente, resulta num som muito mais pesado e impactante. A banda evoluiu para algo que transcende as fórmulas cansadas do Power Metal, preferindo camadas de peso e sofisticação.
Mapeamento da "Metalmorfose"
Além das Restrições do Género
A grande vitória de Metalmorphosis é a sua recusa em aceitar as fronteiras do Power Metal. Enquanto muitas bandas se perdem em labirintos progressivos ou em velocidades gratuitas, o Masterplan foca-se na robutez. "Pain Of Yesterday" é um exemplo brilhante: as escalas orientais trazem uma frescura necessária, enquanto o peso constante da secção rítmica impede que a música se torne "etéria" demais.
Já "Electric Nights" é o contraponto perfeito, uma celebração da velocidade que não soa a reciclagem, mas sim a uma urgência visceral que só uma banda que ama o palco consegue transmitir. É música composta com a consciência da multidão, do rugido e do voo alto que só o Heavy Metal de alta qualidade proporciona.
"Metalmorphosis não é um álbum de retornos; é um álbum de afirmação. O Masterplan mostra que, em treze anos, a sua música não envelheceu — ela apenas adquiriu camadas de peso e sabedoria que a maioria dos seus pares ainda está a tentar decifrar."
O Veredito Final
Metalmorphosis é uma obra-prima de solidez. Ao misturar a inteligência de composição de Grapow com a entrega vocal inconfundível de Rick Altzi, o Masterplan não só justifica o tempo de espera como eleva a fasquia para o que se pode esperar do género. É um álbum equilibrado, pesado na medida certa e, acima de tudo, transborda a convicção de quem não precisa de provar nada a ninguém, exceto a si próprio.
Nota: 9.3/10
Destaques: "Chase The Light", "Electric Nights", "Pain Of Yesterday".
Recomendado para: Fãs de Helloween, Avantasia, Gamma Ray e qualquer entusiasta de Power Metal que valorize mais a composição e o peso do que a simples velocidade.
amazon Masterplan - Metalmorphosis
Temas:
01. Chase the Light 05:51
02. Electric Nights 04:40
03. Shadow Man 03:52
04. Bound to Fall 04:21
05. Pain of Yesterday 04:52
06. Metalmorphosis 05:28
07. Through the Storm 04:15
08. Ghostlight 04:47
09. The Call 08:15
10. Rise Again 04:18
Banda:
Roland Grapow – guitars (2001–present)
Axel Mackenrott – keyboards (2003–present)
Rick Altzi – lead vocals (2012–present)
Jari Kainulainen – bass (2012–present)
Kevin Kott – drums (2016–present)
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