
Se o Power Metal muitas vezes se leva demasiado a sério, os Dominum chegaram para garantir que a sua cova seja o lugar mais divertido do cemitério. Com Night is Calling (2026), o terceiro álbum da banda alemã, Felix "Dr. Dead" Heldt prova que a sua "mente febril" não conhece limites, transformando o apocalipse zombie num carnaval de riffs épicos e ganchos pop que seriam a inveja de qualquer banda de arena.
Avaliação: Dominum – Night is Calling (2026)
O Caos Organizado
Os Dominum são uma banda subversiva. Eles usam a estrutura do Power Metal como um cavalo de Troia para introduzir elementos que, à partida, não deveriam funcionar — sons de circo, influências de rock progressivo e uma sensibilidade pop que torna cada refrão uma sentença de prisão perpétua na tua cabeça. A produção é, como sempre, "beligerante": enorme, pesada, mas com uma nitidez que permite que cada detalhe, por mais absurdo que seja, brilhe.
Mapeamento da Loucura
Por que isto é "A" Revelação?
A inclusão de Marina La Torraca na faixa-título é um golpe de mestre. A sua voz, uma autêntica força da natureza, eleva a dinâmica da banda, provando que os Dominum não são apenas uma brincadeira teatral, mas um projeto com credenciais musicais sérias.
O disco é implacável na sua capacidade de criar refrões "grudentos". Faixas como "Jack The Ripper" ou "I Don't Drink Wine" são o testemunho de uma banda que compreendeu que o horror e o humor não são mutuamente exclusivos; na verdade, quando misturados com o Power Metal certo, criam uma experiência de entretenimento total. A sua versão de "Thriller" é o exemplo máximo da coragem (ou insanidade) de Heldt: é hilariante, é desnecessária e, por isso mesmo, é absolutamente perfeita para o universo que a banda construiu.
"Night is Calling não é apenas um álbum; é um parque de diversões temático. Mais zumbis, mais metal e uma exuberância que faz com que qualquer outra banda de Power Metal pareça, em comparação, um pouco cinzenta demais."
O Veredito Final
Night is Calling supera os seus antecessores ao entregar a coleção de músicas mais coesa, divertida e audaz que Felix Heldt já compôs. É um álbum que não apenas desafia as convenções do género, como as usa para criar algo refrescante e vibrante. Se procuras música que te faça saltar enquanto celebras o fim do mundo (em versão zombie), não procures mais.
Nota: 9.5/10
Destaques: "Night is Calling", "Dark Melodies", "Devil's Son".
Recomendado para: Fãs de Feuerschwanz, Beast in Black, Battle Beast e qualquer pessoa que acredite que o Heavy Metal precisa de mais cor, humor e mortos-vivos.