
O Hard Rock espanhol tem um novo marco de maturidade. Com o lançamento de II (2026), a banda de León, Torque, abandona qualquer sombra de dúvida sobre a sua capacidade de expansão internacional. Se o primeiro álbum foi a apresentação, este segundo capítulo é a consolidação: uma obra que compreende que o verdadeiro poder do género não reside apenas na potência sonora, mas na capacidade de transitar, com naturalidade, entre a agressividade e a vulnerabilidade.
Avaliação: Torque – II (2026)
A Identidade Construída na Emoção
O Torque atingiu um estado de graça onde a produção ambiciosa não esconde a honestidade da composição. Pedro Torque reafirma-se como uma das vozes mais completas do rock europeu atual, mas é a química com Marian T. Pazo que confere ao álbum a sua textura única. As harmonias vocais não são apenas um adorno; são o fio condutor que transforma faixas de Hard Rock clássico em experiências quase cinematográficas.
Arquitetura Sonora
Por trás das vozes, a banda funciona como uma máquina de precisão. O trabalho de Ion Andrés nas guitarras e teclados é um estudo sobre o bom gosto — solando com propósito e criando paisagens sonoras que dão às músicas o espaço necessário para respirar. A secção rítmica, ancorada pelo baixo de Samuel Jain e pela bateria extraordinária de Miriam Torque, é o coração deste disco. Miriam, em particular, destaca-se pela sua musicalidade, tratando a bateria como um instrumento melódico tanto quanto rítmico.
Mapeamento da Dinâmica de II
Por que II é um passo além?
O Torque não se limitou a replicar o seu primeiro trabalho. Eles elevaram o nível da escrita. Faixas como "Petals" mostram que o grupo não tem medo de baixar o volume para falar diretamente ao ouvinte, enquanto momentos como "Torque On The Road" garantem que a alma metálica da banda continua intacta. É um álbum que exige dedicação; quanto mais audições recebe, mais camadas revela.
"II é o espelho de um rock sério, visceral e profundamente reflexivo. O Torque prova que o Hard Rock dos anos 80, quando interpretado com a sensibilidade e a maturidade de 2026, continua a ser a linguagem mais eficaz para refletir as tensões do nosso tempo."
O Veredito Final
II é um lançamento ambicioso e, acima de tudo, bem-sucedido. É um daqueles discos que colocam o rock espanhol no mapa da exportação europeia de elite. Com uma produção impecável e composições que equilibram o entretenimento com a substância, o Torque deixou claro que o seu "tanque está cheio" para uma longa estrada pela frente.
Nota: 8.8/10
Destaques: A dinâmica vocal de Pedro e Marian, a bateria musical de Miriam Torque e a sofisticação dos arranjos de Ion Andrés.
Recomendado para: Fãs de Hard Rock melódico, AOR moderno e ouvintes que apreciam bandas que tratam o rock como uma arte reflexiva e honesta.



