domingo, 5 de julho de 2026

Iron Kingdom - Shadows And Dust (2026) Canadá

Iron Kingdom não está aqui para reinventar o Heavy Metal; eles estão aqui para garantir que a chama sagrada do New Wave of Traditional Heavy Metal (NWOTHM) continue a arder com a intensidade de um alto-forno. Com Shadows and Dust (2026), os canadenses reafirmam o seu compromisso com a linhagem clássica, servindo um prato cheio de riffs, solos acrobáticos e uma energia que evoca os anos dourados de Judas Priest, Iron Maiden e Helloween.

Avaliação: Iron Kingdom – Shadows and Dust (2026)

A Tradição como Armadura

O álbum é uma aula sobre como manter o espírito clássico vivo sem soar como uma relíquia empoeirada. A banda demonstra uma coesão instrumental que transforma composições de longa duração em viagens envolventes. O vocalista Osterman entrega uma das suas melhores performances, equilibrando o alcance épico de um Michael Kiske com a aspereza necessária para que o som não resvale para a doçura excessiva. É uma performance vibrante, que encontra o seu par perfeito na bateria implacável de Max Friesen, que mantém um nível de energia quase thrash mesmo nos momentos de andamento moderado.

Mapeamento da Forja Metálica

Faixa

Vibe / Estilo

Destaque

"Defenders"

Hino Clássico

O padrão de excelência do álbum; refrão ultra cativante.

"Eternal Emperor"

Agressiva/Thrash

Riffs matadores que competem com o melhor do género.

"Line of Fire"

Velocidade Pura

Uma máquina de thrash enxuta, rápida e sem rodeios.

"Blood and Steel"

Groovada

O baixo de Holmes brilha aqui, elevando a faixa a outro nível.

"Sacred Fire"

Épica (Maiden-esque)

Sete minutos de pura ambição clássica.

O Equilíbrio da Aventura

A produção de Shadows and Dust destaca-se pela clareza, especialmente na mixagem do baixo, que confere um corpo e um groove raros no NWOTHM. O trabalho de guitarras duplas entre Osterman e Megan Merrick é, simplesmente, sensacional; os solos são acrobáticos, precisos e cheios de alma, servindo como o motor que impulsiona as faixas quando estas ameaçam perder o ritmo.

O álbum é, sem dúvida, mais ambicioso em duração do que os antecessores. Embora a qualidade das composições seja superior, há momentos em que a extensão das faixas — como o final de "Deadhouse Gates" ou a longa "Sacred Fire" — testa a paciência do ouvinte. Contudo, são deslizes menores num disco que, na maior parte do tempo, é uma máquina de entretenimento bem oleada.

"Shadows and Dust é a prova de que ouvir músicas novas de bandas que sabem compor um bom riff é tão gratificante quanto revisitar os clássicos de Keeper of the Seven Keys. É um lugar divertido, técnico e épico — um reino que vale muito a pena visitar."

O Veredito Final

Shadows and Dust é uma audição obrigatória para quem acredita que o Heavy Metal tradicional é um género intemporal. O Iron Kingdom entrega um trabalho vibrante, enérgico e tecnicamente irrepreensível, que serve como o antídoto perfeito para qualquer "calor" que o verão possa trazer. É música feita para ser ouvida no volume máximo, com o punho no ar.

Nota: 8.7/10

Destaques: "Defenders", "Eternal Emperor", "Blood and Steel".

Recomendado para: Fãs de Iron Maiden, Judas Priest, Helloween e qualquer entusiasta da nova guarda do Metal Tradicional.


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Dominum - Night is Calling (2026) Alemanha

Se o Power Metal muitas vezes se leva demasiado a sério, os Dominum chegaram para garantir que a sua cova seja o lugar mais divertido do cemitério. Com Night is Calling (2026), o terceiro álbum da banda alemã, Felix "Dr. Dead" Heldt prova que a sua "mente febril" não conhece limites, transformando o apocalipse zombie num carnaval de riffs épicos e ganchos pop que seriam a inveja de qualquer banda de arena.

Avaliação: Dominum – Night is Calling (2026)

O Caos Organizado

Os Dominum são uma banda subversiva. Eles usam a estrutura do Power Metal como um cavalo de Troia para introduzir elementos que, à partida, não deveriam funcionar — sons de circo, influências de rock progressivo e uma sensibilidade pop que torna cada refrão uma sentença de prisão perpétua na tua cabeça. A produção é, como sempre, "beligerante": enorme, pesada, mas com uma nitidez que permite que cada detalhe, por mais absurdo que seja, brilhe.

Mapeamento da Loucura

Faixa

Vibe / Estilo

O que esperar

"The Circus is in Town"

Eufórica/Circo

Ritmos entrecortados e um convite para o caos total.

"Night is Calling"

Épica (c/ Marina La Torraca)

O dueto com a vocalista dos Battle Beast é uma força da natureza.

"Dark Melodies"

Prog-Metal/Alt-Metal

Onde Heldt mostra o seu carisma vocal a outro nível.

"Devil's Son"

Carnaval de Terror

Energia para a pista de dança com a estética dos Beast in Black.

"Thriller" (Cover)

Absurda/Hilária

Uma interpretação que é, simultaneamente, um crime e um hino.

Por que isto é "A" Revelação?

A inclusão de Marina La Torraca na faixa-título é um golpe de mestre. A sua voz, uma autêntica força da natureza, eleva a dinâmica da banda, provando que os Dominum não são apenas uma brincadeira teatral, mas um projeto com credenciais musicais sérias.

O disco é implacável na sua capacidade de criar refrões "grudentos". Faixas como "Jack The Ripper" ou "I Don't Drink Wine" são o testemunho de uma banda que compreendeu que o horror e o humor não são mutuamente exclusivos; na verdade, quando misturados com o Power Metal certo, criam uma experiência de entretenimento total. A sua versão de "Thriller" é o exemplo máximo da coragem (ou insanidade) de Heldt: é hilariante, é desnecessária e, por isso mesmo, é absolutamente perfeita para o universo que a banda construiu.

"Night is Calling não é apenas um álbum; é um parque de diversões temático. Mais zumbis, mais metal e uma exuberância que faz com que qualquer outra banda de Power Metal pareça, em comparação, um pouco cinzenta demais."

O Veredito Final

Night is Calling supera os seus antecessores ao entregar a coleção de músicas mais coesa, divertida e audaz que Felix Heldt já compôs. É um álbum que não apenas desafia as convenções do género, como as usa para criar algo refrescante e vibrante. Se procuras música que te faça saltar enquanto celebras o fim do mundo (em versão zombie), não procures mais.

Nota: 9.5/10

Destaques: "Night is Calling", "Dark Melodies", "Devil's Son".

Recomendado para: Fãs de Feuerschwanz, Beast in Black, Battle Beast e qualquer pessoa que acredite que o Heavy Metal precisa de mais cor, humor e mortos-vivos.


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quinta-feira, 2 de julho de 2026

Wicked Dog - La Mola Mountain Rocks (2026) Espanha

Quando um trio encontra a sua identidade, o resultado é palpável. Vindo de Terrassa, Barcelona, os Wicked Dog não estão aqui para brincadeiras de estúdio. Com o seu novo álbum, La Mola Mountain Rocks (2026), o grupo espanhol solidifica uma trajetória que, desde 2017, tem sido marcada pela crueza do garage blues.

O título é um manifesto: La Mola é a icónica montanha que domina a paisagem de Terrassa, e este disco é o som dessa montanha a tremer sob o peso de amplificadores no máximo.

Avaliação: Wicked Dog – La Mola Mountain Rocks (2026)

A Trindade do Rock de Garagem

A química entre Alberto Corcoles (guitarra/vocal), Jesus Vallejo (baixo) e Daniel Baeza (bateria) atingiu aqui um nível de firmeza e segurança que faltava nos seus registos anteriores. O trio destila influências de titãs — a eletricidade dos ZZ Top, o peso visceral dos Motörhead e o groove clássico dos Led Zeppelin — e molda-as numa sonoridade que é, essencialmente, "amarga" e orgânica.

O Som da Montanha

La Mola Mountain Rocks é um disco de contrastes: tem a lama e a sujeira do Blues, mas a velocidade e a urgência do Punk. A produção não tenta polir as arestas; pelo contrário, realça o caráter "cru" que se tornou a marca registada da banda.

  • A Evolução: O álbum soa como uma banda que passou anos a abrir para gigantes (como Supersuckers e Wolfmother) e que aprendeu que, no palco, o que importa é a capacidade de agarrar o público pelo colarinho.

  • O "Círculo Perfeito": Como os próprios referem, lançar este disco enquanto tocam no festival da sua terra natal cria uma sensação de fechamento de ciclo. É música feita por quem conhece o seu solo, que respira o ar da sua montanha e que não precisa de fórmulas externas para soar autêntica.

Aspeto

Diagnóstico

Coesão

Trio altamente alinhado; a secção rítmica é uma rocha.

Identidade

O "Garage Blues amargo" é uma definição perfeita para o seu som.

Produção

Crua e honesta, capturando a energia de um concerto ao vivo.

Atitude

Direta, sem rodeios e imbuída de um orgulho local palpável.

Por que este álbum é relevante?

Em tempos onde o rock parece, por vezes, excessivamente produzido, os Wicked Dog relembram-nos a importância da simplicidade. Eles não procuram reinventar a roda, mas fazem-na rolar com uma força que é impossível de ignorar. É um álbum que soa a ensaio, a suor e a cerveja; um disco que se sente em casa num clube lotado ou num festival ao ar livre.

"La Mola Mountain Rocks é a prova de que a identidade de uma banda está intrinsecamente ligada às suas raízes. É um álbum que cheira a terra, a montanha e a amplificadores a arder. É o som de um trio que sabe exatamente quem é e para onde vai."

O Veredito Final

La Mola Mountain Rocks é um triunfo de tenacidade. Os Wicked Dog entregam um trabalho que não se perde em complexidades inúteis, apostando tudo numa entrega crua e honesta. Se procuras um disco que não tenta ser outra coisa senão Rock 'n' Roll puro, feito com o coração, este é um lançamento obrigatório para 2026.

Nota: 8.4/10

Destaques: A crueza das guitarras, a precisão rítmica e a atitude "amarga" de Alberto Corcoles.

Recomendado para: Fãs de ZZ Top, Motörhead, Supersuckers e qualquer pessoa que aprecie Rock 'n' Roll sem filtros.


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Moonspell - Far From God (2026) Portugal

Cinco anos após o introspectivo Hermitage, os Moonspell regressam com Far From God (2026), um álbum que não só marca um retorno às raízes góticas da banda, como reconfigura o seu ADN para uma era mais madura e sofisticada. Longe de ser um exercício de nostalgia fácil, este novo trabalho é uma colisão entre o romantismo sombrio do "gótico vintage" e a agressividade metálica que sempre foi a espinha dorsal dos portugueses.

Avaliação: Moonspell – Far From God (2026)

A Escuridão como Atmosfera, o Metal como Força

O que separa Far From God de outras incursões pelo Rock Gótico é a recusa da banda em suavizar as arestas. Enquanto nomes como HIM ou Sentenced (numa fase posterior) caminharam para um som mais comercial e polido, os Moonspell mantêm a faca entre os dentes. A produção equilibra na perfeição a atmosfera cinematográfica que aprenderam a dominar em Hermitage com o peso visceral que o seu público exige.

Mapeamento da Jornada Sombria

Faixa

Atmosfera / Estilo

Destaque

"Cross Your Heart"

Gótico Convidativo

O impulso inicial, energético e moderno.

"Biblical"

Sombria/Cinematográfica

O baixo dominante e a progressão para a agressividade visceral.

"For the Love of Mortals"

Romântica/Melancólica

Onde o anseio e os sussurros criam o ambiente gótico puro.

"Our Freedom to Fall"

Crua/Vibrante

A mudança de ritmo que eleva a atitude sombria a um nível impactante.

"Far From God"

Sombria/Cativante

O tema central que sintetiza o equilíbrio entre o "pesado" e o "obscuro".

O Equilíbrio da Maturidade

O álbum de 8 faixas é um exercício de contenção e explosão. Fernando Ribeiro, mais uma vez, demonstra uma capacidade camaleónica de transitar entre o sussurro contido — que nos atrai para o coração da melancolia — e o grito visceral, que nos relembra que esta é uma banda de Metal.

A guitarra apresenta um toque "lúdico" em momentos inesperados, uma evolução técnica que não retira a atitude sombria, mas confere ao disco uma textura muito mais rica. Não há aqui o perigo de "retrocesso"; este é um disco que entende que o Gótico não é apenas uma estética do passado, mas uma forma de sentir o mundo, mesmo quando o mundo hoje é mais cínico e moderno.

"Far From God é o disco que os fãs esperavam há anos: uma autêntica viagem pelo lado mais macabro e romântico dos Moonspell, sem nunca sacrificar a honestidade brutal do seu som metálico."

O Veredito Final

Far From God é um triunfo de atmosfera. É um disco que se sente tanto quanto se ouve. Com uma duração perfeita, sem preenchimentos, cada uma das 8 faixas é uma peça necessária neste mosaico de desolação e beleza. É um regresso triunfal para uma das bandas mais resilientes e inteligentes da cena internacional.

Nota: 9.2/10

Destaques: "Biblical", "Our Freedom to Fall", "Far From God".

Recomendado para: Fãs de Moonspell (era Wolfheart/Irreligious), entusiastas de Gothic Metal com peso e qualquer pessoa que aprecie música que consegue ser simultaneamente desoladora e contagiante.


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quarta-feira, 1 de julho de 2026

Deep Purple - Splat! (2026) UK

Os Deep Purple são, por definição, uma anomalia na história da música. Enquanto a maioria das bandas da sua geração se transformou em peças de museu, os britânicos insistem em ser uma unidade de combate criativo. Com SPLAT! (2026), o seu 24º álbum de estúdio, a banda atinge a impressionante marca de quatro discos em apenas seis anos — uma cadência de trabalho que faria corar muitos artistas com metade da sua idade.

A colaboração com o produtor Bob Ezrin provou ser um casamento perfeito, refinando a banda para um estado de elegância e economia que, longe de os limitar, os libertou para serem mais diretos e letais.

Avaliação: Deep Purple – SPLAT! (2026)

A Economia da Maestria

O grande triunfo de SPLAT! é a sua concisão. Num mercado onde o "prog" muitas vezes se traduz em excesso, o Purple opta pela precisão cirúrgica. Nenhuma das 13 faixas ultrapassa os cinco minutos, mas cada uma delas é uma lição de arranjo. A banda encontrou uma forma de destilar a sua grandiosidade épica num formato de "single" clássico, onde a improvisação não é um fim, mas um recurso estilístico inserido no calor do momento.

O Diálogo entre McBride e Airey

A chegada de Simon McBride foi o catalisador de uma nova energia, e em SPLAT! a química com Don Airey é deslumbrante. As trocas de solos não parecem um duelo de egos, mas uma conversa cúmplice.

  • Don Airey: O mestre continua a dominar o Hammond, mas a sua incursão em pianos jazzísticos ("The Beating of Wings") e sintetizadores ("Sacred Land") mostra que, aos 78 anos, ele ainda está a expandir o seu vocabulário.

  • Simon McBride: O guitarrista consolidou-se. Ele traz a "mordida" necessária para que temas como "Arrogant Boy" e "Third Call" soem modernos sem trair a linhagem histórica do grupo.

Mapeamento da Intensidade

Faixa

Vibe / Estilo

O que esperar

"Arrogant Boy"

Hard Rock Ágil

Onde McBride e Airey brilham num duelo de solos.

"The Beating of Wings"

Sofisticada/Jazz

Destaque para os solos de piano de Airey.

"Third Call"

Vibrante

A prova de que Ian Paice mantém a intensidade de 1970.

"Guilt Trippin'"

Progressiva/Hard

Uma mistura de Hammond clássico com a nova faceta jazzística.

"Scriblin' Gib'rish"

Experimental

Onde os sintetizadores levam o Purple a territórios progressivos.

O Fator "Mark II"

A resiliência de Ian Gillan, Roger Glover e Ian Paice é o coração emocional do álbum. Ver Gillan aos 80 anos, ainda audaz e cheio de insinuações, e Paice a tocar como se estivesse a defender a sua vida, é um lembrete daquela "magia" que muitas vezes tentamos explicar com teoria, mas que só se entende ao sentir o pulso da bateria. SPLAT! soa, em muitos momentos, como um "In Rock" ou "Fireball" destilado e otimizado para o século XXI.

"SPLAT! não é o álbum de uma banda que está a tentar recuperar a glória; é o álbum de uma banda que ainda está a escrever o seu futuro. É compacto, é progressivo, é puro Deep Purple."

O Veredito Final

SPLAT! é a prova cabal de que a criatividade não tem prazo de validade. Ao abraçar a brevidade, o Deep Purple conseguiu criar um dos discos mais coesos e dinâmicos da sua discografia recente. McBride encaixou-se como uma luva, e a lenda continua a evoluir, provando que o Hard Rock, quando bem temperado com progressividade e audácia, ainda tem muito a dizer.

Nota: 8.8/10

Destaques: "Third Call", "Arrogant Boy", "Guilt Trippin'".

Recomendado para: Fãs de longa data, entusiastas de guitarras e teclados que buscam técnica sem desperdício e qualquer pessoa que aprecie a longevidade artística sem estagnação.


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