sábado, 14 de março de 2026

Gotthard - More Stereo Crush (EP) (2026) Alemanha

Se achavas que os Gotthard iam abrandar o ritmo em 2026, este novo EP, More Stereo Crush, prova que a "máquina suíça" (com forte ADN alemão na sua produção e mercado) continua com os níveis de octatagem no máximo.

Um álbum de "transição" com qualidade mais do que suficiente.

Embora inicialmente temesse que fosse uma coletânea de sobras de sessões anteriores, eu encontrei seis excelentes faixas inéditas , além de algumas versões alternativas. O álbum é descrito como peça fundamental para manter o ímpeto da banda enquanto se preparam para seu próximo grande projeto.

Análise das principais pistas:

  • "Smiling In The Pouring Rain" : Aclamada como a joia do álbum, a canção é descrita como "hipnótica" e melancólica, comparando-a a clássicos como "Love Soul Matters ". É uma música pessoal e poderosa que evoca imagens e sentimentos profundos.

  • "Snafu" : Uma explosão de puro Hard Rock fortemente inspirado pelo AC/DC . O riff principal fica entre "Back In Black" e "Rock Or Bust ", um rock sólido típico do som moderno de Gotthard.

  • "Don't Miss The Call" : Com um ritmo que lembra a versão deles de "Mighty Quinn" do lendário álbum G , é uma das músicas mais cativantes da coletânea graças aos seus refrões memoráveis.

  • "Mayday" : Uma faixa curiosa e intensa. A letra conta uma história fantasiosa sobre o Papai Noel preso em uma chaminé em chamas, mas a música é sombria e poderosa, no estilo da era Domino Effect .

  • "Ride The Wave" : Destaca-se pelo excelente trabalho de guitarra de Leo Leoni , que demonstra contenção antes de se lançar em um final acelerado e a todo vapor.

  • "Liverpool" : Inclui a tão aguardada colaboração com o lendário Marc Storace (Krokus), elevando o nível melódico do lançamento.

O Veredito Final

More Stereo Crush não tenta reinventar a roda, mas dá a ela um polimento de diamante. O formato EP funciona perfeitamente para Gotthard em 2026: permite que eles lancem material de alta qualidade sem o "preenchimento" que às vezes dilui álbuns de 12 ou 14 faixas.

É um disco que soa como confiança. Eles sabem o que os fãs querem e o entregam com uma precisão que deixaria um relojoeiro de Genebra com inveja.

Nota: 8,4/10

"O Gotthard é o equivalente musical de um carro esportivo de luxo: confiável, poderoso e com acabamento impecável. Este EP é apenas a volta rápida que estávamos precisando."

Destaques: "Smiling In The Pouring Rain", "Liverpool", "Snafu"

Recomendado para: Fãs de Whitesnake (fase moderna), Shinedown, Eclipse e qualquer pessoa que aprecie Hard Rock com produção de topo.


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segunda-feira, 2 de março de 2026

It’sAlie - Wild Games (2026) Itália

A Itália continua a ser um dos exportadores mais prolíficos de Hard Rock e Heavy Metal em 2026, e os IT’sALIE chegam com o seu segundo esforço, Wild Games, para provar que o seu álbum de estreia não foi um acaso. Liderados pela força da natureza que é Giorgia Colleluori, a banda entrega um disco que é, ao mesmo tempo, um tributo aos gigantes do passado e um exercício de músculo rock moderno.

A Equipa de Elite na Produção

Quando tens Mat Sinner (Primal Fear, Sinner) no baixo e na produção, e o mestre Magnus Karlsson na mistura, o resultado sonoro é garantido: um som pesado, denso e cristalino. O objetivo era claro: criar um disco que respirasse Blues mas que tivesse a força de um tanque de guerra, permitindo que Giorgia evocasse o espírito de Janis Joplin e Ann Wilson dentro de uma moldura de Southern Rock e Black Sabbath.

O Poder de Giorgia e a Guitarra de Leonardo

O grande trunfo dos IT’sALIE é, sem dúvida, o duo dinâmico na frente. Giorgia Colleluori não canta apenas; ela domina as faixas com uma performance visceral. Ao seu lado, Leonardo entrega solos "saborosos" e riffs que, embora por vezes tradicionais, mostram uma técnica impecável.


Destaques das Faixas: O Brilho e o "Chugga-Chugga"

  • "Waiting For The Rain": O single de abertura é a "impressão digital" da banda. Um groove hipnótico e vocais roucos que definem o tom do álbum.

  • "One Way To Rock" & "Living In The City": Aqui a banda abraça o Hard Rock dos anos 80. Se a primeira nos remete para o NWOBHM e vibrações de Rainbow, a segunda é o palco perfeito para Giorgia canalizar a sua Ann Wilson interior. É rock puro, feito para divertir.

  • "History Remains": Provavelmente o momento mais alto do disco. Uma faixa mais ponderada, com raízes no blues, onde a voz de Giorgia atinge picos de paixão visceral que arrepiam.

  • "Spirits": Um respiro necessário. Ao reduzir a velocidade e os riffs constantes, a banda permite que a música "respire". É melódica, suave e mostra que a voz de Giorgia também brilha na subtileza, longe dos gritos constantes.

O Desafio da Variedade

Nem tudo são flores em Wild Games. Como acontece com muitos lançamentos contemporâneos de Hard Rock, o álbum sofre ocasionalmente do que podemos chamar de síndrome do "Chuggachuggaland" — aquela repetição mecânica de riffs e batidas constantes que fazem com que faixas como "Gates Of Faith" ou "Death Road" soem demasiado parecidas entre si.

Falta, por vezes, a audácia de bandas como The Damn Truth, que arriscam mais na variedade rítmica e composicional ao longo de um álbum inteiro. O "excesso de gritos", embora tecnicamente impressionante, pode tornar-se cansativo se não houver nuances suficientes para equilibrar a jornada.


O Veredito Final

Wild Games é uma produção valiosa e um passo em frente para os IT’sALIE. É um disco "assumidamente pesado", carregado de atitude e performances individuais de elite. Embora perca alguns pontos pela falta de originalidade em certas estruturas de composição, ganha-os de volta pela honestidade e pelo poder de fogo de Giorgia Colleluori.

Nota: 8.2/10

"Um álbum que é um autêntico soco no estômago melódico. Se Giorgia Colleluori continuar a cantar assim, o futuro do Hard Rock italiano está em boas mãos."

Destaques: "History Remains", "Waiting For The Rain", "Spirits". 

Recomendado para: Fãs de Heart, Black Sabbath, Sinner e de vocalistas femininas com uma garra fora do comum.


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Glorious Bankrobbers - Intruder (2026) Suécia

Se os suecos Glorious Bankrobbers estivessem a tentar compensar o tempo perdido, não poderiam fazê-lo de forma mais barulhenta. Com o lançamento de "Intruder" em fevereiro de 2026, a banda completa a impressionante marca de três álbuns em apenas três anos desde o seu regresso triunfal em 2023.

Liderados pela voz carismática de Olle Hillborg e pelas guitarras afiadas de Jonas Petersson, este quarteto de Estocolmo prova que o Sleaze/Hard Rock não é apenas uma questão de nostalgia, mas de sobrevivência e atitude.

O Contexto: Do Vinil de 84 ao Digital de 2026

Para quem não conhece o pedigree: os Glorious Bankrobbers ajudaram a definir o rock sueco nos anos 80, com uma estreia produzida por Kee Marcello (Europe) e o clássico de culto Dynamite Sex Doze (1989). Após décadas de silêncio e um breve suspiro em 2007, a "formação 2023" trouxe sangue novo e uma produtividade que envergonha bandas com metade da idade deles.

Sonoridade: Rock 'n' Roll sem Filtros

Intruder é um álbum que recusa a polidez excessiva das produções modernas. É rock visceral, cru e, acima de tudo, divertido. A banda consegue a proeza de soar como se estivesse em 1989 sem parecer que ficou presa no tempo — é uma mistura orgânica do seu passado glorioso com a urgência do presente.


Análise das Faixas

Faixa

Estilo

Destaque

01. Intruder

Hard Rock Direto

A abertura perfeita. Um hino que liga o passado ao presente com um riff matador.

03. Rollin' In Hollywood

Sleaze/Punk

Rock 'n' roll sujo, cru e cheio de "arrogância" clássica.

05. Come Rain Come Shine

Melódico

Mostra o lado mais trabalhado e tranquilo da banda.

07. Ready For The Good Times

Mid-tempo

Uma canção feita para os concertos ao vivo, com um refrão orelhudo.

12. Starstriped Western Boots

Finalizador

Um encerramento com estilo que reforça a estética "cowboy do rock" da banda.


O Veredito Final

"Intruder" é, possivelmente, o melhor trabalho da banda nesta sua "terceira vida". O álbum é compacto (40 minutos que passam a voar) e não tem enchimento (filler). Olle Hillborg continua a ser um dos segredos mais bem guardados da Suécia — a sua voz mantém a garra necessária para o género, enquanto Jonas Petersson entrega solos que servem a canção em vez de apenas o ego.

Já é tempo de os Glorious Bankrobbers saírem da sombra dos grandes nomes do topo das tabelas e serem reconhecidos como os veteranos vitais que são. Se gostas de rock que soa a gasolina, couro e noites de Verão, este disco é para ti.

Nota: 8.5/10

"Eles prometem rock 'n' roll puro e cumprem. Agora, só falta alguém nos dizer quem é que lhes deu este tónico de juventude para lançarem três álbuns seguidos com esta qualidade!"

Destaques: "Intruder", "Rollin' In Hollywood", "Ready For The Good Times".

Recomendado para: Fãs de Hanoi Rocks, The Hellacopters, Backyard Babies e dos primeiros discos dos Skid Row.


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domingo, 1 de março de 2026

Joel Hoekstra’s 13 - From The Fade (2026) USA

A avaliação sobre o novo álbum de Joel Hoekstra’s 13, intitulado From The Fade (lançado a 27 de fevereiro de 2026), é extremamente positiva, conferindo ao disco a 

Nota: 8.5/10 

O blog descreve o trabalho como uma "masterclass" de Hard Rock melódico, destacando que este quarto álbum de estúdio consolida o projeto como um dos supergrupos mais consequentes da atualidade.

Aqui estão os pontos principais da análise:

1. Um "Dream Team" de Veteranos

O álbum beneficia da química entre músicos lendários, criando o que o site chama de um "banquete auditivo gourmet":

  • Joel Hoekstra (Guitarras): O seu trabalho de riff e solo evoca lendas como Ritchie Blackmore e John Sykes, com uma técnica cirúrgica.

  • Girish Pradhan (Vocais): O vocalista (dos Girish And The Chronicles) é amplamente elogiado pelo seu tom rouco e poderoso, comparado a Russell Allen e Jeff Scott Soto, trazendo uma "crueza formidável" às canções.

  • Tony Franklin (Baixo): O seu baixo fretless proporciona uma base fluida e rica.

  • Vinnie Appice (Bateria): Entrega a sua batida clássica e explosiva, reminiscente dos seus dias com Black Sabbath e Dio.

  • Derek Sherinian (Teclados): Adiciona texturas progressivas e solos virtuosos.

2. Destaques das Faixas

O álbum é descrito como um portfólio de dez faixas que equilibram nostalgia e modernidade:

  • "You Can Give": Uma abertura otimista e feita para arenas, com ganchos melódicos viciantes.

  • "The Fall": Uma mistura do swagger bluesy dos Whitesnake com a agressividade metálica de Dio.

  • "Misunderstood": Uma faixa de ritmo acelerado onde Hoekstra canaliza o estilo de Vivian Campbell em 1984.

  • "The End Of Me": Descrita como o ponto alto do disco, uma "mini-épica" que presta uma homenagem brilhante a "Heaven and Hell" dos Black Sabbath.

  • "Quite The Ride": O encerramento com toques de Rock Progressivo, lembrando bandas como Styx e Yes, destacando os sintetizadores de Sherinian.

3. Veredito Final

Para nós, o álbum é essencial para os puristas do Hard Rock e Heavy Metal da "velha escola". Embora se questione se atinge o nível intocável de clássicos como o álbum de estreia dos Blue Murder ou The Last in Line de Dio, ele afirma que From The Fade capta exatamente o mesmo espírito.


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BlackRain - Orphans Of The Light (2026) França

Os BlackRain sempre foram a resposta da França ao Sunset Strip, mas em 2026, com o lançamento de Orphans Of The Light, eles provam que já não são apenas "os miúdos do Glam". Se o álbum anterior, Untamed (2022), foi uma explosão de energia juvenil, este novo trabalho é o som de uma banda que aprendeu a dominar a escuridão sem perder o brilho do neon.

O Veredito: "O Melhor Álbum da Banda"

Embora as expectativas para um novo lançamento de BlackRain sejam sempre altas, este álbum "estilhaça as expectativas". O disco é fenomenal, combinando a energia do Sleaze Rock escandinavo com uma grandeza melódica que remete diretamente aos Queen.

A Nova Arma: Jerem G

Um dos pontos mais elogiados é a entrada do novo guitarrista principal, Jerem G. é descrito como uma "estrela em ascensão", um "deus da guitarra" que traz não apenas velocidade, mas uma melodia e técnica que elevam a banda. A química entre ele e o vocalista Swan Hellion é considerada um dos pilares do sucesso deste disco.

Análise das Faixas (Destaques)

  • "Dreams": Uma abertura surpreendente com sintetizadores e narração que rapidamente evolui para um som contagiante, comparado à estrutura de "Bohemian Rhapsody" pela sua variação e poder.

  • "Come On": Puro Glam Metal dos anos 80, evocando o som de Skid Row (fase de estreia) e Mötley Crüe (Dr. Feelgood). É a resposta perfeita para quem diz que "já não se faz música assim".

  • "Orphans Of The Light" (Faixa-Título): Uma composição teatral com riffs massivos, situada na fronteira entre o Sleaze e o Power Metal.

  • "Unleash The Fury": Descrita como uma mistura entre a era Rest In Sleaze dos Crashdïet e os primeiros álbuns de Dokken.

  • "If This Is Love": Definida como uma "power ballad épica de sleaze metal", onde a emoção e a técnica de guitarra são de "tirar o fôlego".

  • "Disagree": Uma das faixas mais rápidas, onde a fusão entre o sleaze sueco e o som dos Queen atinge o seu auge.

  • "Farewell": O encerramento triunfante, sendo a faixa com a influência mais óbvia de Queen em todo o álbum.

Conclusão 

Swan Hellion continua com uma capacidade vocal impressionante, especialmente nas notas altas, e que a secção rítmica (Franky Costanza na bateria e Matthieu De La Roche no baixo) está mais sólida do que nunca.

Nota: 8.9/10

Destaques: "Dreams", "Orphans Of The Light", "If This Is Love", "Disagree"

Recomendado para: Fãs de Queen, Crashdïet, Mötley Crüe e qualquer pessoa que procure Hard Rock moderno com alma de arena.


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