
A Itália continua a ser um dos exportadores mais prolíficos de Hard Rock e Heavy Metal em 2026, e os IT’sALIE chegam com o seu segundo esforço, Wild Games, para provar que o seu álbum de estreia não foi um acaso. Liderados pela força da natureza que é Giorgia Colleluori, a banda entrega um disco que é, ao mesmo tempo, um tributo aos gigantes do passado e um exercício de músculo rock moderno.
A Equipa de Elite na Produção
Quando tens Mat Sinner (Primal Fear, Sinner) no baixo e na produção, e o mestre Magnus Karlsson na mistura, o resultado sonoro é garantido: um som pesado, denso e cristalino. O objetivo era claro: criar um disco que respirasse Blues mas que tivesse a força de um tanque de guerra, permitindo que Giorgia evocasse o espírito de Janis Joplin e Ann Wilson dentro de uma moldura de Southern Rock e Black Sabbath.
O Poder de Giorgia e a Guitarra de Leonardo
O grande trunfo dos IT’sALIE é, sem dúvida, o duo dinâmico na frente. Giorgia Colleluori não canta apenas; ela domina as faixas com uma performance visceral. Ao seu lado, Leonardo entrega solos "saborosos" e riffs que, embora por vezes tradicionais, mostram uma técnica impecável.
Destaques das Faixas: O Brilho e o "Chugga-Chugga"
"Waiting For The Rain": O single de abertura é a "impressão digital" da banda. Um groove hipnótico e vocais roucos que definem o tom do álbum.
"One Way To Rock" & "Living In The City": Aqui a banda abraça o Hard Rock dos anos 80. Se a primeira nos remete para o NWOBHM e vibrações de Rainbow, a segunda é o palco perfeito para Giorgia canalizar a sua Ann Wilson interior. É rock puro, feito para divertir.
"History Remains": Provavelmente o momento mais alto do disco. Uma faixa mais ponderada, com raízes no blues, onde a voz de Giorgia atinge picos de paixão visceral que arrepiam.
"Spirits": Um respiro necessário. Ao reduzir a velocidade e os riffs constantes, a banda permite que a música "respire". É melódica, suave e mostra que a voz de Giorgia também brilha na subtileza, longe dos gritos constantes.
O Desafio da Variedade
Nem tudo são flores em Wild Games. Como acontece com muitos lançamentos contemporâneos de Hard Rock, o álbum sofre ocasionalmente do que podemos chamar de síndrome do "Chuggachuggaland" — aquela repetição mecânica de riffs e batidas constantes que fazem com que faixas como "Gates Of Faith" ou "Death Road" soem demasiado parecidas entre si.
Falta, por vezes, a audácia de bandas como The Damn Truth, que arriscam mais na variedade rítmica e composicional ao longo de um álbum inteiro. O "excesso de gritos", embora tecnicamente impressionante, pode tornar-se cansativo se não houver nuances suficientes para equilibrar a jornada.
O Veredito Final
Wild Games é uma produção valiosa e um passo em frente para os IT’sALIE. É um disco "assumidamente pesado", carregado de atitude e performances individuais de elite. Embora perca alguns pontos pela falta de originalidade em certas estruturas de composição, ganha-os de volta pela honestidade e pelo poder de fogo de Giorgia Colleluori.
Nota: 8.2/10
"Um álbum que é um autêntico soco no estômago melódico. Se Giorgia Colleluori continuar a cantar assim, o futuro do Hard Rock italiano está em boas mãos."
Destaques: "History Remains", "Waiting For The Rain", "Spirits".
Recomendado para: Fãs de Heart, Black Sabbath, Sinner e de vocalistas femininas com uma garra fora do comum.


