quarta-feira, 25 de março de 2026

VENUS 5 - March Of The Venus 5 (2026) Internacional

Se a estreia das VENUS 5 em 2022 foi um cartão de visita curioso, o seu segundo álbum, March Of The Venus 5 (2026), é a confirmação de que este projeto internacional não é apenas um "produto" de estúdio, mas uma força coletiva com uma direção musical muito mais definida.

Lançado pela Frontiers Music, o álbum equilibra o brilho do Pop-Metal europeu com uma musculatura mais próxima do Heavy Metal tradicional.

A Arquitetura Sonora de Aldo Lonobile

O segredo da coesão deste disco reside na mão experiente de Aldo Lonobile (Secret Sphere). Ele conseguiu orquestrar cinco vozes distintas sem deixar que o som se tornasse caótico. A banda de estúdio — com destaque para o baixo elástico de Andrea Buratto e as guitarras do próprio Lonobile e de Gabriele Robotti — entrega um metal melódico de alto impacto, que alterna entre a suavidade e a crueza de forma orgânica.

Cinco Vozes, Uma Identidade

Com vocalistas da Suécia, Eslovénia, Sérvia, Itália e Albânia, a variedade é garantida. Embora Tezzi Persson e Herma (Greta Di Iacovo) continuem a ter os timbres mais reconhecíveis, o álbum beneficia da união das cinco. Em momentos como "Stereotypes", percebe-se que a banda atingiu o seu auge harmónico: um hino com uma mensagem forte e uma melodia que fica colada à memória.


Análise das Faixas

Faixa

Estilo

Observação

"March Of The Venus 5"

Metal Tradicional

Abertura grandiosa e estrondosa que dita o novo tom da banda.

"Like A Witch"

Melodic Metal

Vigorosa e intransigente, mostra o lado mais "pesado" das cinco vozes.

"Set Me Free"

Emocional / Rítmico

Harmonias não convencionais e um baixo "elástico" que cria uma atmosfera ferida.

"Surrender"

Symphonic Metal

O refrão sinfónico surge no momento certo para dar um novo fôlego ao disco.

"Winter On My Skin"

Hard Rock

Uma canção que Annie Lennox poderia ter assinado noutro universo.

"Take It From The Start"

Balada Crossover

A grande aposta para as rádios. Transcende o metal e entra no território da música pop de arena.


O Veredito Final

March Of The Venus 5 é um álbum que transita com elegância entre o metal melódico, o sinfónico e o hard rock. Se a fórmula por vezes parece seguir os padrões comerciais da Frontiers, a execução é tão impecável que é difícil não se deixar contagiar.

O ponto alto é, sem dúvida, a capacidade de tornar temas pesados em algo acessível. É um disco que vai agradar tanto ao fã de metal que procura bons riffs quanto ao ouvinte casual que aprecia grandes performances vocais.

Nota: 8.5/10

"As Vénus deixaram de ser apenas uma promessa para se tornarem um exército melódico. March Of The Venus 5 é o som de cinco mulheres a reclamarem o seu lugar no topo do metal europeu."


Destaques: "Stereotypes", "Take It From The Start", "Like A Witch".

Recomendado para: Fãs de Beyond The Black, Amaranthe, Delain e do lado mais melódico da editora Frontiers.


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domingo, 22 de março de 2026

Stainless - Lady Of Lust & Steel (2026) USA

Diretamente das chuvas de Portland, Oregon, os Stainless surgem em 2026 para provar que o Heavy Metal tradicional não precisa de invenções modernas para soar vital. Sob o comando do guitarrista e fundador Jamie Byrum, o álbum de estreia Lady Of Lust & Steel é uma cápsula do tempo que nos transporta para a glória dos anos 80, sem pedir desculpa pela nostalgia.

Aqui está a análise deste lançamento que promete agitar as águas do metal old-school:

A Voz de Ferro: Larissa Cavacece

Se Jamie Byrum é o arquiteto dos riffs, Larissa Cavacece é a força bruta que os molda. Com uma voz rouca e genuinamente "metal", a sua prestação exala uma aspereza que é rara encontrar hoje em dia. É impossível ouvi-la em faixas como "Whoreforest" e não traçar comparações imediatas com a lendária Leather Leone (Chastain). Ela traz o perigo de volta ao microfone.

Sonoridade: Onde o Hard Rock e o Metal Colidem

O álbum é curto, grosso e eficaz. Em apenas 36 minutos, a banda entrega uma fusão crua que bebe de fontes sagradas:

  • "Restless An' Ready": Uma abertura explosiva que soa como se os AC/DC tivessem tido um filho bastardo com os Accept.

  • "(Don't Cross Me) Fool": Aqui a influência de Judas Priest é clara, com um ritmo galopante e uma atitude desafiadora.

Destaques das Faixas

Faixa

Estilo / Vibe

O que esperar

"Danger in the Night"

Speed Metal

A faixa mais rápida e furiosa do disco. Pura adrenalina.

"Take a Listen Mama"

Power Ballad / Rock

O contraste necessário. Uma pulsação hipnotizante com toques de metal melódico.

"Vitamin Tease"

80s Hard Rock

Groove contagiante com o espírito das arenas de 1985.

"Rough Justice"

Bluesy Hard Rock

O encerramento que mostra a versatilidade da banda com um toque de "sujidade" blues.


O Veredito Final

Lady Of Lust & Steel é um álbum de estreia extremamente bem elaborado. Não tenta ser progressivo ou revolucionário; o seu valor reside na ambição e no amor genuíno pelo Heavy Metal tradicional. É um disco vibrante, vigoroso e conciso, ideal para quem sente falta daquela urgência que só o metal dos anos 80 conseguia transmitir.

Os Stainless não estão apenas a tocar música; estão a reivindicar um trono de aço que lhes pertence por direito nesta nova vaga de metal tradicional (NWOTHM).

Nota: 8.3/10

"Se queres saber como soaria um encontro entre o metal alemão dos Accept e a sujidade das ruas de Portland, este é o teu álbum. Larissa Cavacece é a voz que o metal de 2026 estava a precisar."

Destaques: "Danger in the Night", "Restless An' Ready", "Whoreforest".

Recomendado para: Fãs de Accept, Judas Priest, Chastain e do renascimento do Heavy Metal tradicional.


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Tyketto - Closer To The Sun (2026) USA

Os Tyketto, outrora um dos segredos mais bem guardados do Rock Melódico, parecem ter finalmente derrubado as grades do culto para abraçar o grande público. Em 2026, com o lançamento de Closer To The Sun, a banda prova que o hiato de dez anos desde Reach (2016) não foi tempo perdido, mas sim um período de maturação para uma formação que, embora renovada, mantém a chama de Danny Vaughn mais viva do que nunca.

Aqui está a nossa avaliação detalhada deste novo marco na carreira da banda:

A Nova Era de Danny Vaughn

Sendo agora o único membro original, Danny Vaughn tinha a pesada tarefa de provar que a "marca" Tyketto ainda fazia sentido em estúdio. A resposta é um curto e grosso "sim". Acompanhado por Ged Rylands (teclados) e o talentoso Harry Scott Elliott (guitarra), Vaughn entrega um álbum que honra o passado melódico enquanto flerta corajosamente com o Blues e o Rock Progressivo dos anos 70.

Destaques das Faixas: Entre Hinos e Experimentos

  • "Higher Than High": O primeiro single abre com um riff bluesy delicioso, temperado com o órgão Hammond de Rylands e uma harmónica que nos remete para o projeto Flesh and Blood. O solo de Harry Scott Elliott tem aquele "swing" clássico dos Aerosmith.

  • "We Rise" (O Destaque): Se os Tyketto procuravam um sucessor para o imortal "Forever Young", esta é a canção. Um hino positivo e empolgante que contém uma surpresa: um solo de sintetizador que parece ter sido roubado de um disco dos Styx ou ELP.

  • "The Picture": Aqui, Danny Vaughn atinge o seu auge vocal. A forma como a sua voz se eleva no refrão evoca o espírito do saudoso Jimi Jamison (Survivor). É o coração emocional do álbum.

  • "Far and Away" & "The Brave": O encerramento do disco é filosófico e inspirador. "Far and Away", com os seus arranjos de cordas e letras profundas (usando termos como "conflagrações"), faz lembrar a escrita de Tony Clarkin (Magnum), enquanto "The Brave" encerra com uma celebração da coragem comum.

Mudanças de Tom e Pequenos Desvios

O álbum não tem medo de mudar de direção. "Donnowhuddidis" traz um piano de bar divertido e um riff familiar, enquanto a balada título "Closer to the Sun" entrega o Tyketto mais tradicional que os fãs tanto amam. Nem tudo é perfeito — "Harleys & Indians" soa um pouco arrastada e deslocada, valendo apenas pelo belo solo de gaita no final — mas a coesão geral não é afetada.

O Veredito

Closer To The Sun é um álbum extremamente diversificado que justifica a confiança de Danny Vaughn nesta nova formação. É um disco que celebra a sobrevivência e a evolução, posicionando os Tyketto não como uma banda de nostalgia, mas como uma força vital no Rock contemporâneo.

Nota: 9 / 10

"Danny Vaughn continua a possuir um dos ouvidos mais apurados para a melodia no mundo do Rock. Este álbum é a prova de que, mesmo sendo o último membro original, a alma da banda permanece intacta."


Destaques: "We Rise", "The Picture", "Higher Than High"

Recomendado para: Fãs de Journey, Survivor, Magnum e qualquer pessoa que aprecie Rock Melódico com profundidade lírica.


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Axel Rudi Pell - Ghost Town (2026) Alemanha

Se há uma constante no universo do Heavy Metal, é que o relógio de Axel Rudi Pell nunca para. Em 2026, o mestre alemão da guitarra estratosférica ataca novamente com Ghost Town, um álbum que prova que a sua fórmula, embora clássica, continua a ser refinada com a precisão de um relojoeiro germânico.

Aqui está a nossa análise sobre este novo capítulo da saga Pell:

O "Choque" Vocal: Udo e Gioeli

O grande trunfo deste disco é, sem dúvida, a participação especial na faixa "Breaking Seals". Quando pensávamos que Johnny Gioeli estava apenas a experimentar um tom mais rouco, somos atingidos pelo icónico timbre de Udo Dirkschneider.

  • A Química: O dueto entre Gioeli e Udo é o ponto alto do álbum. É uma fusão rara de poder melódico e agressividade metálica que eleva a composição a um patamar de "clássico instantâneo".

A Assinatura de Axel: Cadência e Velocidade

O título Ghost Town serve de pano de fundo para Axel demonstrar por que é único. Enquanto muitos guitarristas se perdem apenas na velocidade, Pell mantém a sua marca indelével: a capacidade de misturar frases lentas e melódicas com explosões de técnica ultra-rápida. É um estilo "clássico-moderno" que poucos conseguem replicar com tanta naturalidade.

Destaques das Faixas: Da Revolução à Redenção

Faixa

Temática / Estilo

Observação

"The Regicide"

Introdução Épica

Uma abertura dramática que evoca a queda de monarcas e revoluções políticas.

"Guillotine Walk"

Hard Rock Pesado

Não é apenas sobre história; é uma reflexão visceral sobre um homem no caminho para o cadafalso.

"Breaking Seals"

Heavy Metal Puro

A colaboração com Udo. A melhor música do disco, com uma energia contagiante.

"Sanity"

Balada

A "quota" obrigatória de Pell. Uma composição sensível que mostra o lado melódico da banda.

Uma Formação de Betão

É impossível falar de Axel Rudi Pell sem mencionar a estabilidade da sua banda. Manter a mesma formação desde Knights' Call (2018) — passando pelo sólido Risen Symbol (2024) — é uma raridade absoluta no mundo dos virtuosos da guitarra. A coesão entre Gioeli, Rondinelli, Krawczak e Doernberg é o que permite que este álbum soe tão orgânico e seguro de si.

O Veredito Final

Ghost Town não vem para reinventar o género, mas sim para o celebrar. Axel Rudi Pell sabe exatamente o que os seus fãs querem: riffs potentes, solos inspirados em Ritchie Blackmore, baladas de partir o coração e temáticas históricas/fantásticas. Com o bónus da voz de Udo, este álbum posiciona-se como um dos lançamentos mais fortes da sua vasta discografia recente.

Nota: 8.7/10

"Axel Rudi Pell é como um bom vinho do Reno: sabemos exatamente o que esperar, mas a cada colheita (ou álbum), o sabor parece mais apurado. Ghost Town é um banquete para os amantes do Metal Tradicional."

Destaques: "Breaking Seals" (feat. Udo), "Guillotine Walk", "Sanity".

Recomendado para: Fãs de Rainbow, Deep Purple, Dio e todos os que acompanham a carreira de Pell desde os anos 80.


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