segunda-feira, 2 de março de 2026

It’sAlie - Wild Games (2026) Itália

A Itália continua a ser um dos exportadores mais prolíficos de Hard Rock e Heavy Metal em 2026, e os IT’sALIE chegam com o seu segundo esforço, Wild Games, para provar que o seu álbum de estreia não foi um acaso. Liderados pela força da natureza que é Giorgia Colleluori, a banda entrega um disco que é, ao mesmo tempo, um tributo aos gigantes do passado e um exercício de músculo rock moderno.

A Equipa de Elite na Produção

Quando tens Mat Sinner (Primal Fear, Sinner) no baixo e na produção, e o mestre Magnus Karlsson na mistura, o resultado sonoro é garantido: um som pesado, denso e cristalino. O objetivo era claro: criar um disco que respirasse Blues mas que tivesse a força de um tanque de guerra, permitindo que Giorgia evocasse o espírito de Janis Joplin e Ann Wilson dentro de uma moldura de Southern Rock e Black Sabbath.

O Poder de Giorgia e a Guitarra de Leonardo

O grande trunfo dos IT’sALIE é, sem dúvida, o duo dinâmico na frente. Giorgia Colleluori não canta apenas; ela domina as faixas com uma performance visceral. Ao seu lado, Leonardo entrega solos "saborosos" e riffs que, embora por vezes tradicionais, mostram uma técnica impecável.


Destaques das Faixas: O Brilho e o "Chugga-Chugga"

  • "Waiting For The Rain": O single de abertura é a "impressão digital" da banda. Um groove hipnótico e vocais roucos que definem o tom do álbum.

  • "One Way To Rock" & "Living In The City": Aqui a banda abraça o Hard Rock dos anos 80. Se a primeira nos remete para o NWOBHM e vibrações de Rainbow, a segunda é o palco perfeito para Giorgia canalizar a sua Ann Wilson interior. É rock puro, feito para divertir.

  • "History Remains": Provavelmente o momento mais alto do disco. Uma faixa mais ponderada, com raízes no blues, onde a voz de Giorgia atinge picos de paixão visceral que arrepiam.

  • "Spirits": Um respiro necessário. Ao reduzir a velocidade e os riffs constantes, a banda permite que a música "respire". É melódica, suave e mostra que a voz de Giorgia também brilha na subtileza, longe dos gritos constantes.

O Desafio da Variedade

Nem tudo são flores em Wild Games. Como acontece com muitos lançamentos contemporâneos de Hard Rock, o álbum sofre ocasionalmente do que podemos chamar de síndrome do "Chuggachuggaland" — aquela repetição mecânica de riffs e batidas constantes que fazem com que faixas como "Gates Of Faith" ou "Death Road" soem demasiado parecidas entre si.

Falta, por vezes, a audácia de bandas como The Damn Truth, que arriscam mais na variedade rítmica e composicional ao longo de um álbum inteiro. O "excesso de gritos", embora tecnicamente impressionante, pode tornar-se cansativo se não houver nuances suficientes para equilibrar a jornada.


O Veredito Final

Wild Games é uma produção valiosa e um passo em frente para os IT’sALIE. É um disco "assumidamente pesado", carregado de atitude e performances individuais de elite. Embora perca alguns pontos pela falta de originalidade em certas estruturas de composição, ganha-os de volta pela honestidade e pelo poder de fogo de Giorgia Colleluori.

Nota: 8.2/10

"Um álbum que é um autêntico soco no estômago melódico. Se Giorgia Colleluori continuar a cantar assim, o futuro do Hard Rock italiano está em boas mãos."

Destaques: "History Remains", "Waiting For The Rain", "Spirits". 

Recomendado para: Fãs de Heart, Black Sabbath, Sinner e de vocalistas femininas com uma garra fora do comum.


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Glorious Bankrobbers - Intruder (2026) Suécia

Se os suecos Glorious Bankrobbers estivessem a tentar compensar o tempo perdido, não poderiam fazê-lo de forma mais barulhenta. Com o lançamento de "Intruder" em fevereiro de 2026, a banda completa a impressionante marca de três álbuns em apenas três anos desde o seu regresso triunfal em 2023.

Liderados pela voz carismática de Olle Hillborg e pelas guitarras afiadas de Jonas Petersson, este quarteto de Estocolmo prova que o Sleaze/Hard Rock não é apenas uma questão de nostalgia, mas de sobrevivência e atitude.

O Contexto: Do Vinil de 84 ao Digital de 2026

Para quem não conhece o pedigree: os Glorious Bankrobbers ajudaram a definir o rock sueco nos anos 80, com uma estreia produzida por Kee Marcello (Europe) e o clássico de culto Dynamite Sex Doze (1989). Após décadas de silêncio e um breve suspiro em 2007, a "formação 2023" trouxe sangue novo e uma produtividade que envergonha bandas com metade da idade deles.

Sonoridade: Rock 'n' Roll sem Filtros

Intruder é um álbum que recusa a polidez excessiva das produções modernas. É rock visceral, cru e, acima de tudo, divertido. A banda consegue a proeza de soar como se estivesse em 1989 sem parecer que ficou presa no tempo — é uma mistura orgânica do seu passado glorioso com a urgência do presente.


Análise das Faixas

Faixa

Estilo

Destaque

01. Intruder

Hard Rock Direto

A abertura perfeita. Um hino que liga o passado ao presente com um riff matador.

03. Rollin' In Hollywood

Sleaze/Punk

Rock 'n' roll sujo, cru e cheio de "arrogância" clássica.

05. Come Rain Come Shine

Melódico

Mostra o lado mais trabalhado e tranquilo da banda.

07. Ready For The Good Times

Mid-tempo

Uma canção feita para os concertos ao vivo, com um refrão orelhudo.

12. Starstriped Western Boots

Finalizador

Um encerramento com estilo que reforça a estética "cowboy do rock" da banda.


O Veredito Final

"Intruder" é, possivelmente, o melhor trabalho da banda nesta sua "terceira vida". O álbum é compacto (40 minutos que passam a voar) e não tem enchimento (filler). Olle Hillborg continua a ser um dos segredos mais bem guardados da Suécia — a sua voz mantém a garra necessária para o género, enquanto Jonas Petersson entrega solos que servem a canção em vez de apenas o ego.

Já é tempo de os Glorious Bankrobbers saírem da sombra dos grandes nomes do topo das tabelas e serem reconhecidos como os veteranos vitais que são. Se gostas de rock que soa a gasolina, couro e noites de Verão, este disco é para ti.

Nota: 8.5/10

"Eles prometem rock 'n' roll puro e cumprem. Agora, só falta alguém nos dizer quem é que lhes deu este tónico de juventude para lançarem três álbuns seguidos com esta qualidade!"

Destaques: "Intruder", "Rollin' In Hollywood", "Ready For The Good Times".

Recomendado para: Fãs de Hanoi Rocks, The Hellacopters, Backyard Babies e dos primeiros discos dos Skid Row.


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domingo, 1 de março de 2026

Joel Hoekstra’s 13 - From The Fade (2026) USA

A avaliação sobre o novo álbum de Joel Hoekstra’s 13, intitulado From The Fade (lançado a 27 de fevereiro de 2026), é extremamente positiva, conferindo ao disco a 

Nota: 8.5/10 

O blog descreve o trabalho como uma "masterclass" de Hard Rock melódico, destacando que este quarto álbum de estúdio consolida o projeto como um dos supergrupos mais consequentes da atualidade.

Aqui estão os pontos principais da análise:

1. Um "Dream Team" de Veteranos

O álbum beneficia da química entre músicos lendários, criando o que o site chama de um "banquete auditivo gourmet":

  • Joel Hoekstra (Guitarras): O seu trabalho de riff e solo evoca lendas como Ritchie Blackmore e John Sykes, com uma técnica cirúrgica.

  • Girish Pradhan (Vocais): O vocalista (dos Girish And The Chronicles) é amplamente elogiado pelo seu tom rouco e poderoso, comparado a Russell Allen e Jeff Scott Soto, trazendo uma "crueza formidável" às canções.

  • Tony Franklin (Baixo): O seu baixo fretless proporciona uma base fluida e rica.

  • Vinnie Appice (Bateria): Entrega a sua batida clássica e explosiva, reminiscente dos seus dias com Black Sabbath e Dio.

  • Derek Sherinian (Teclados): Adiciona texturas progressivas e solos virtuosos.

2. Destaques das Faixas

O álbum é descrito como um portfólio de dez faixas que equilibram nostalgia e modernidade:

  • "You Can Give": Uma abertura otimista e feita para arenas, com ganchos melódicos viciantes.

  • "The Fall": Uma mistura do swagger bluesy dos Whitesnake com a agressividade metálica de Dio.

  • "Misunderstood": Uma faixa de ritmo acelerado onde Hoekstra canaliza o estilo de Vivian Campbell em 1984.

  • "The End Of Me": Descrita como o ponto alto do disco, uma "mini-épica" que presta uma homenagem brilhante a "Heaven and Hell" dos Black Sabbath.

  • "Quite The Ride": O encerramento com toques de Rock Progressivo, lembrando bandas como Styx e Yes, destacando os sintetizadores de Sherinian.

3. Veredito Final

Para nós, o álbum é essencial para os puristas do Hard Rock e Heavy Metal da "velha escola". Embora se questione se atinge o nível intocável de clássicos como o álbum de estreia dos Blue Murder ou The Last in Line de Dio, ele afirma que From The Fade capta exatamente o mesmo espírito.


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BlackRain - Orphans Of The Light (2026) França

Os BlackRain sempre foram a resposta da França ao Sunset Strip, mas em 2026, com o lançamento de Orphans Of The Light, eles provam que já não são apenas "os miúdos do Glam". Se o álbum anterior, Untamed (2022), foi uma explosão de energia juvenil, este novo trabalho é o som de uma banda que aprendeu a dominar a escuridão sem perder o brilho do neon.

O Veredito: "O Melhor Álbum da Banda"

Embora as expectativas para um novo lançamento de BlackRain sejam sempre altas, este álbum "estilhaça as expectativas". O disco é fenomenal, combinando a energia do Sleaze Rock escandinavo com uma grandeza melódica que remete diretamente aos Queen.

A Nova Arma: Jerem G

Um dos pontos mais elogiados é a entrada do novo guitarrista principal, Jerem G. é descrito como uma "estrela em ascensão", um "deus da guitarra" que traz não apenas velocidade, mas uma melodia e técnica que elevam a banda. A química entre ele e o vocalista Swan Hellion é considerada um dos pilares do sucesso deste disco.

Análise das Faixas (Destaques)

  • "Dreams": Uma abertura surpreendente com sintetizadores e narração que rapidamente evolui para um som contagiante, comparado à estrutura de "Bohemian Rhapsody" pela sua variação e poder.

  • "Come On": Puro Glam Metal dos anos 80, evocando o som de Skid Row (fase de estreia) e Mötley Crüe (Dr. Feelgood). É a resposta perfeita para quem diz que "já não se faz música assim".

  • "Orphans Of The Light" (Faixa-Título): Uma composição teatral com riffs massivos, situada na fronteira entre o Sleaze e o Power Metal.

  • "Unleash The Fury": Descrita como uma mistura entre a era Rest In Sleaze dos Crashdïet e os primeiros álbuns de Dokken.

  • "If This Is Love": Definida como uma "power ballad épica de sleaze metal", onde a emoção e a técnica de guitarra são de "tirar o fôlego".

  • "Disagree": Uma das faixas mais rápidas, onde a fusão entre o sleaze sueco e o som dos Queen atinge o seu auge.

  • "Farewell": O encerramento triunfante, sendo a faixa com a influência mais óbvia de Queen em todo o álbum.

Conclusão 

Swan Hellion continua com uma capacidade vocal impressionante, especialmente nas notas altas, e que a secção rítmica (Franky Costanza na bateria e Matthieu De La Roche no baixo) está mais sólida do que nunca.

Nota: 8.9/10

Destaques: "Dreams", "Orphans Of The Light", "If This Is Love", "Disagree"

Recomendado para: Fãs de Queen, Crashdïet, Mötley Crüe e qualquer pessoa que procure Hard Rock moderno com alma de arena.


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