sábado, 4 de abril de 2026

Cactus - Temple Of Blues II (2026) Internacional

Carmine Appice é uma daquelas forças da natureza que parecem ignorar o conceito de "reforma". Em 2026, ele prova que os Cactus continuam a ser o "Led Zeppelin da classe operária" com o lançamento de Temple Of Blues II (Cleopatra Records).

Se o primeiro volume já era uma celebração, esta sequela é um verdadeiro festival de superestrelas, onde o Hard Rock rústico da banda se funde com os clássicos do Blues num abraço de distorção e groove.

O Poder das Colaborações

Não é todos os dias que vemos um alinhamento que junta Steve Morse, Joe Lynn Turner, Billy Sheehan e Dee Snider no mesmo projeto. O mérito de Appice é conseguir que estes titãs não se sobreponham à alma da banda. A produção é robusta, destacando a bateria lendária de Carmine, que continua a ditar as regras do ritmo com uma autoridade inquestionável.

O Destaque: "Bad Stuff"

Originalmente lançada em 1972 no álbum 'Ot n' Sweaty, "Bad Stuff" recebe aqui uma injeção de adrenalina. A escolha de Joe Lynn Turner para os vocais foi um golpe de mestre; a sua voz tem a textura perfeita para o Rock influenciado pelo Blues. Junte-se a isso o virtuosismo técnico de Steve Morse e a precisão de Derek Sherinian nos teclados, e temos uma versão que não só respeita o original, como o eleva a novos patamares de energia.


Mapeamento das Colaborações

Faixa

Convidados de Destaque

Vibe

"Bad Stuff"

Joe Lynn Turner, Steve Morse, Derek Sherinian

Hard Rock com alma de 1972.

"Spoonful"

Ted Nugent, Bob Daisley

O "Motor City Madman" traz o seu fogo característico.

"The Little Red Rooster"

Dee Snider, Tracii Guns

Uma interpretação suja, crua e cheia de atitude.

"Back Door Man"

Eric Gales, Billy Sheehan

Um duelo de gigantes entre guitarra e baixo.

"Purple Haze"

Melanie

O momento mais emotivo e psicadélico do disco.


O Momento Emotivo: A Despedida de Melanie

Um dos pontos mais altos — e tocantes — do álbum é a versão de "Purple Haze" com os vocais de Melanie, gravados antes do seu falecimento em 2024. A ligação histórica entre Melanie e Carmine (ambos tocaram no Festival da Ilha de Wight em 1970) confere à faixa uma aura de reverência. É um tributo magnífico a uma voz que marcou uma era.

O Veredito Final

Temple Of Blues II é um álbum obrigatório para quem gosta de Rock com "cheiro a válvulas e suor". Apesar da quantidade massiva de convidados, o disco soa coeso. A inclusão de sete clássicos de Dixon/Wolf garante o pedigree de Blues, enquanto a faixa bónus do CD, "Feel So Good" (com Tommy Thayer e Britt Lightning), fecha o pacote com um brilho adicional de Hard Rock clássico.

Nota: 8.5/10

"Carmine Appice não está apenas a tocar Blues; ele está a levar os Cactus a um templo onde o volume está sempre no 11. É um disco vibrante, histórico e, acima de tudo, divertido."


Destaques: "Bad Stuff", "Back Door Man", "Purple Haze".

Recomendado para: Fãs de Cream, Led Zeppelin, Vanilla Fudge e de qualquer pessoa que queira ouvir como se faz Rock 'n' Roll com pedigree.


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Lion’s Share - Inferno (2026) Suécia

Dezessete anos. No mundo do Metal, isso não é apenas um hiato; é uma era geológica completa. Bandas nasceram, atingiram o topo e separaram-se enquanto os suecos do Lion’s Share mantinham o silêncio. Mas em 2026, com o lançamento de Inferno, percebemos que a espera não foi apatia — foi um carregamento de munição.

Lars Chriss e Nils Patrik Johansson voltaram para nos lembrar que o "Metal de verdade" não precisa de prefixos, sufixos ou modas passageiras.

O Regresso do Heavy Metal "Puro Sangue"

Esqueça as tendências modernas. Inferno é uma declaração de princípios. O objetivo de Lars Chriss era claro: criar o álbum mais forte e focado da carreira da banda. Com apenas nove faixas, o disco evita a "gordura" típica de lançamentos digitais intermináveis e foca-se no músculo. É uma aula de como soar faminto mesmo após décadas de estrada.

Análise das Faixas: Riffs, Patches e Atitude

Faixa

Estilo

O que a torna especial

"Pentagram"

European Metal

Uma abertura com a certeza de uns Accept. Metal de punho erguido.

"We Are What We Are"

Heavy Tradicional

Orgulhosa e sem concessões. Imagine o Saxon se tivesse nascido na Alemanha.

"The Lion's Trial"

Heavy/Doom

Diminui a velocidade para aumentar o impacto. Pesada e dramática.

"Baptized In Blood"

Raw Metal

Áspera como lixa. O trabalho de guitarra de Lars Chriss aqui é fenomenal.

"Chain Child"

Classic Gallop

O galope rítmico que o metal tenta aperfeiçoar há décadas.

"Run For Your Life"

Epic Doom/Heavy

Um encerramento com a grandiosidade de Candlemass, mas com um solo final cheio de alegria.

O Triunfo de Nils Patrik Johansson

A voz de Nils Patrik Johansson continua a ser uma das armas mais poderosas do género. Em faixas como "Live Forever", ele flerta com o Power Metal, enquanto em "Another Desire" entrega um desempenho que explica por que este estilo nunca morre. A química entre os seus vocais dramáticos e os riffs precisos de Chriss é o motor que faz Inferno arder com tanta intensidade.


O Veredito Final

O maior trunfo de Inferno é que ele não soa como um exercício de nostalgia. Soa como uma banda que esperou 17 anos para dizer: "Nós ainda estamos aqui e fazemos isto melhor do que vocês". É um álbum que equilibra perfeitamente a seriedade do metal clássico com a alegria pura de tocar alto e rápido.

Se procurava o disco que o fizesse voltar a coser patches no colete, encontrou-o. Nove músicas. Sem desperdício. Apenas fogo.

Nota: 9.2/10

"Lion’s Share não voltou para pedir desculpa pela ausência; voltou para incendiar o palco. Inferno é o som de quem nunca deixou de acreditar nos velhos tempos, mas sabe como fazê-los soar frescos em 2026."


Destaques: "Pentagram", "Baptized In Blood", "Run For Your Life".

Recomendado para: Fãs de Accept, Saxon, Dio, Candlemass e puristas do Heavy Metal sueco.


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quinta-feira, 2 de abril de 2026

Black Label Society - Engines Of Demolition (2026) USA

Se alguém tinha dúvidas de como Zakk Wylde consegue equilibrar o caos de tocar com os Pantera, Ozzy Osbourne e Zakk Sabbath, a resposta está gravada a fogo nas doze faixas de Engines of Demolition (2026). No seu 13.º álbum de estúdio, os Black Label Society entregam um trabalho que não soa a uma banda veterana em "piloto automático", mas sim a um coletivo que ainda tem a fome e a urgência de quem está a começar.

Aqui está a nossa análise sobre este rolo compressor de riffs e emoção:

A Máquina Perfeita: Riffs, Suor e Precisão

Zakk Wylde, acompanhado pelos fiéis John DeServio, Dario Lorina e Jeff Fabb, construiu um álbum que flui como uma maré tempestuosa. A produção é imaculada — comparável à engenharia de um carro alemão de luxo: sabes que vai funcionar e que o vai fazer de forma estrondosa.

O que mais impressiona em Engines of Demolition é a objetividade. Esqueçam os épicos progressivos ou a indulgência excessiva; aqui o foco é o impacto direto. As faixas são rápidas, coesas e desenhadas para o palco.


Destaques das Faixas: Do Heavy ao Soul Sulista

Faixa

Estilo

O que a torna única

"Name in Blood"

Metal Moderno

Harmonias estridentes e riffs pesadíssimos. Uma das melhores do ano.

"Gatherer of Souls"

Sabbath Vibes

Um riff que parece ter sido resgatado das sessões do álbum 13 dos Black Sabbath.

"The Hard of Tomorrow"

Stoner Rock

Uma marcha lenta e desafinada. Soa como um gigante a arrastar uma catedral.

"Better Days Wiser Times"

Country/Southern

Onde o violão assume o comando e Zakk expõe a sua alma sulista.

"Lord Humongous"

Riff Colossal

Três minutos e meio de puro poder sonoro. O título diz tudo: é gigante.

"Above and Below" e a Fluidez de Zakk

Na sétima faixa, "Above and Below", o disco atinge um estado de graça. A transição entre os riffs esmagadores e os vocais mais suaves é quase impercetível de tão fluida. Os solos de Zakk continuam em constante evolução: são expressivos, rápidos quando precisam de ser, mas sempre carregados de intenção.


O Momento de Arrepiar: "A Canção de Ozzy"

O álbum termina com o que só pode ser descrito como uma carta de amor e despedida. Depois de quase 40 anos de lealdade mútua, Zakk dedica a última faixa ao seu mentor, Ozzy Osbourne.

"Isto não é apenas uma homenagem. É uma despedida. Uma vida inteira condensada em canção."

Com piano, vozes com eco e dedilhados suaves, a música quebra a barreira entre artista e fã. Quando Zakk canta "No fim das contas, não poderia pedir mais nada", ele encerra não apenas um disco, mas um capítulo fundamental da história do Heavy Metal. É impossível ouvir sem sentir o peso da perda e da gratidão.


O Veredito Final

Engines of Demolition é, sem dúvida, um dos melhores álbuns de metal dos últimos anos. Consegue a proeza de ser agressivo e sensível, técnico e direto. Zakk Wylde prova que, mesmo perto dos sessenta anos, a sua criatividade não conhece limites. É um álbum monumental de uma banda que se recusa a vacilar.

Nota: 9.5/10

Destaques: "Name in Blood", "Lord Humongous", "Ozzy's Song".

Recomendado para: Fãs de Black Sabbath, Pantera, Pride & Glory e de qualquer pessoa que saiba apreciar a beleza de um riff bem executado.


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