
Os finlandeses Wishing Well parecem ter uma missão clara: manter acesa a chama do Hard Rock clássico num mundo cada vez mais digitalizado. Com o lançamento de Playing With Fire (2026), o seu quinto álbum de estúdio pela Inverse Records, a banda consolida-se como a guardiã das sonoridades que outrora pertenceram a gigantes como Deep Purple e Rainbow.
Aqui está a nossa análise sobre este mergulho profundo no Rock de "velha guarda":
O Espírito do Hammond e o Virtuosismo Nórdico
Onde muitas bandas falham ao tentar soar "retro", os Wishing Well triunfam devido à química genuína entre os seus músicos. Não se trata apenas de copiar o passado, mas de o respeitar com uma execução técnica de alto nível.
O Duelo Hammond/Guitarra: Arto Teppo faz um trabalho magistral no órgão Hammond, canalizando a energia de Jon Lord e Don Airey. A sua interação com as guitarras de Anssi Korkiakoski em faixas como "Peace and Love and Rock 'n Roll" cria texturas que são puro deleite para os puristas.
A Cozinha Virtuosa: O baixo de Matti Kotkavuori é, possivelmente, a arma secreta deste disco. Em vez de se limitar a marcar o tempo, ele eleva composições como "Train of Thoughts" com linhas melódicas e complexas.
Destaques das Faixas
O Ponto Sensível: Os Vocais
Se há um "calcanhar de Aquiles" neste registo, é a prestação de Pepe Tamminen. Embora seja um músico rítmico competente, a sua voz soa por vezes "morna" para a intensidade que as composições exigem. Ao levar o seu registo agudo ao limite em faixas como "Valley of Darkness" e "Light of Love", a audição torna-se menos apelativa do que o instrumental sugeriria. Falta-lhe aquele "punch" visceral que tornaria estas canções verdadeiros hinos.
O Veredito Final
Playing With Fire é um álbum de nicho, feito por fãs de Rock para fãs de Rock. É o disco perfeito para quem cresceu nas décadas de 70 e 80 e sente falta de composições focadas em melodias sólidas e solos orgânicos.
Embora não seja o álbum que vai levar os Wishing Well ao topo das tabelas mundiais ou conquistar a Geração Z, é uma adição digna e respeitável à sua discografia. É rock honesto, sem artifícios, feito por quem sabe o que faz.
Nota: 7.5/10
"É música para quem sabe que um órgão Hammond bem tocado vale mais do que mil sintetizadores modernos. Uma viagem nostálgica, ainda que os vocais por vezes percam o fôlego pelo caminho."
Destaques: "March In the Dark", "War Cry", "Train of Thoughts".
Recomendado para: Fãs de Deep Purple, Uriah Heep, Rainbow e entusiastas do Hard Rock finlandês.







