segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Edenbridge - Set The Dark On Fire (2026) Áustria

O álbum "Set The Dark On Fire" é descrito como um dos pontos mais altos da longa carreira dos austríacos Edenbridge.

O Veredito 

A crítica destaca que este 12.º álbum de estúdio marca o regresso da banda à editora Steamhammer/SPV com uma confiança renovada. Embora a banda mantenha a sua essência melódica, este é possivelmente o seu trabalho mais pesado e dinâmico até à data.

Destaques da Crítica:

  • Abertura Impactante: A faixa "The Ghostship Diaries" é elogiada pelo seu ritmo acelerado e coros potentes, servindo como uma introdução perfeita que "levanta as cortinas em grande estilo".

  • A Dualidade do Som: O crítico nota que faixas como "Cosmic Embrace" são simultaneamente "perturbadoras e celestialmente revigorantes", mostrando o lado mais gótico e denso que a banda explorou neste disco.

  • O Épico Central: Um dos maiores elogios vai para a música "Spark of the Everflame". Com quase 14 minutos de duração, é descrita como uma peça épica em quatro partes que define verdadeiramente o "Sinfónico" no Metal Sinfónico. Classificada como "simplesmente deslumbrante", alternando entre momentos de beleza orquestral e passagens de uma obscuridade angustiante.

  • Influências Orientais: Faixas como "Divine Dawn Reveal" e "Lighthouse" são mencionadas pela sua atmosfera do Médio Oriente, utilizando instrumentos como a sitar elétrica e o dulcimer para criar uma sonoridade rica e exótica.

Performance Técnica:

  • Sabine Edelsbacher: A sua voz é comparada a um "farol num porto seguro", guiando toda a complexidade instrumental com clareza e calor.

  • Lanvall: O mentor da banda é louvado não só pela composição, mas pela capacidade de integrar orquestrações opulentas sem nunca saturar o som ou abafar as guitarras.

Conclusão:

Os Edenbridge "descobriram a fórmula vencedora" e este álbum confirma o seu lugar na "mesa principal" do género. A avaliação conclui que "Set The Dark On Fire" consegue reacender a paixão pelo Metal Sinfónico num momento em que o género poderia parecer estagnado, oferecendo profundidade e amplitude em cada canto.

Veredito: Altamente recomendado para fãs que procuram Metal Sinfónico com substância, técnica e emoção.


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N.Y.C. - Built To Destroy (2025) USA

O álbum "Built To Destroy" da banda N.Y.C. é descrito como um trabalho sólido de Heavy Metal que brilha especialmente quando aposta na agressividade direta.

Sonoridade e Estilo

O crítico destaca que a sonoridade do N.Y.C. — que conta com veteranos como Tommy Bolan (ex-Warlock), Stet Howland (W.A.S.P., Metal Church) e Steve Unger (Metal Church) — é uma mistura interessante. A revista identifica influências do lado mais sombrio de Type O Negative combinadas com um trabalho de guitarras e riffs que remetem fortemente a Black Label Society.

Pontos Altos e Baixos

  • A Força do Direto: A avaliação enfatiza que o N.Y.C. mostra a sua verdadeira classe e experiência quando toca de forma "alta e direta". É nesses momentos que o álbum causa o maior impacto.

  • Momentos de Hesitação: O crítico menciona que algumas faixas no meio do disco perdem um pouco da intensidade inicial. Por exemplo, em "United", as harmonias vocais são vistas como algo que retira a agressividade que as primeiras músicas estabeleceram. Algumas faixas subsequentes foram descritas como "corretas", mas carentes das estruturas convincentes que marcaram o início.

  • A Recuperação: O álbum "redime-se" a partir da faixa "Full Tilt", recuperando o fôlego e terminando de forma muito positiva.

Análise das Faixas

  • "Let’s Roll (40 Brave)": Destacada como uma música "esmagadora" e de grande qualidade.

  • "Gasoline": Descrita como tendo uma atmosfera de Southern Rock Power Ballad, transmitindo uma mensagem muito forte através da música.

  • "Built To Destroy" (Faixa-Título): Considerada a escolha perfeita para encerrar o disco, deixando uma impressão final impressionante e poderosa.

Veredito

A conclusão é que, embora o álbum tenha algumas oscilações rítmicas e de intensidade a meio, a experiência e o talento dos músicos envolvidos garantem um resultado final de alta qualidade. O disco termina "em alta", reafirmando o N.Y.C. como uma força respeitável no Heavy Metal contemporâneo.

Nota: 8/10.


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domingo, 18 de janeiro de 2026

Megadeth - Megadeth (2026) USA

O álbum "Megadeth" (2026) não é apenas mais um lançamento na carreira de Dave Mustaine; este é o último álbum da história da banda. O título homónimo serve como o capítulo final e definitivo de uma das fundadoras do Thrash Metal, encerrando uma jornada de 43 anos.

O Canto do Cisne do Thrash Metal

Lançado a 23 de janeiro de 2026 pela gravadora BLKIIBLK, o 16.º (e final) álbum de estúdio dos Megadeth é uma obra multifacetada que consegue ser, ao mesmo tempo, agressiva, técnica e profundamente emocional. Mustaine reuniu a formação composta por Teemu Mäntysaari (guitarra), James LoMenzo (baixo) e Dirk Verbeuren (bateria) para entregar um adeus digno de lendas.

Sonoridade e Estilo: A Essência de Mustaine

O álbum é um resumo lírico e musical da visão inabalável de Dave Mustaine. Ele explora desde as raízes punk do grupo até à sofisticação do Thrash melódico que os tornou gigantes.

  • O Factor "Ride the Lightning": Uma das maiores surpresas é a inclusão de uma nova versão de "Ride the Lightning". Mustaine, que co-escreveu o clássico dos Metallica, finalmente coloca a sua voz e estilo nesta peça, mostrando quanto do seu DNA está impregnado naquele marco do metal.

  • Virtuosismo Técnico: Faixas como "Let There Be Shred" são celebrações puras da guitarra. Como o título sugere, é um massacre de solos e riffs rápidos onde o domínio de Mustaine e Teemu toma o centro do palco.

Destaques das Faixas

  • "Tipping Point": O single de abertura é Megadeth clássico: ritmo galopante, leads brilhantes e os vocais icónicos de Mustaine. A introdução perfeita para o álbum.

  • "I Don't Care": Com uma forte influência punk, esta canção funciona como um sumário da carreira de Dave: ele fez o que achou correto, seguindo a sua própria bússola musical contra todas as probabilidades.

  • "Puppet Parade" & "Obey the Call": São as faixas mais complexas do disco. Exigem várias audições para revelar a sua genialidade, mostrando que a banda não perdeu o apetite por estruturas progressivas.

  • "Made to Kill" & "I Am War": Thrash Metal direto, com riffs furiosos e uma secção rítmica (LoMenzo/Verbeuren) que bate com força implacável.

  • "The Last Note": O fecho agridoce. Uma faixa melancólica que liberta a "besta do Thrash" uma última vez, servindo como uma despedida tocante a mais de quatro décadas de música.

O Veredito Final

Megadeth é um álbum soberbo. É pesado, multifacetado e carregado de emoção. Consegue homenagear o legado de clássicos como Peace Sells e Countdown to Extinction, enquanto oferece algo novo e vibrante. É raro uma banda deste calibre conseguir encerrar a sua história com um álbum tão forte e relevante.

O Metal perde um dos seus faróis, mas o Megadeth sai de cena no topo, deixando um disco que será lembrado como um dos melhores da sua discografia.

Nota: 9/10


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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Kreator - Krushers Of The World (2026) Alemanha

Quatro anos após o aclamado Hate über alles, Mille Petrozza e a sua armada regressam com "Krushers of the World". Este não é apenas mais um disco na vasta discografia da banda; é um trabalho que eleva a fasquia do Thrash Metal moderno, fundindo a agressividade implacável com uma composição técnica e melódica superior.

O Som: Entre o Caos e a Melodia

O álbum é descrito como uma "explosão massiva de Thrash". O Kreator mantém a sua energia bruta (presente há mais de quatro décadas), mas injeta nuances cinematográficas e colaborações surpreendentes que refrescam o género.

  • Agressão Pura: Faixas como a abertura "Seven Serpents" e "Deathscream" (que começa com um grito de Mille de "gelar o sangue") mostram que o lado mais selvagem da banda continua intacto.

  • Inovação Vocal: Um dos grandes destaques é a faixa "Tränenpalast", que conta com a participação de Britta Görtz (Hiraes). A combinação da voz agressiva de Mille com o registo rouco de Britta cria uma dinâmica harmoniosa mas visceral, imbuída de uma vibração de terror (remetendo ao clássico "Phobia").

  • Hinos de Arena: A faixa-título, "Krushers Of the World", e "Satanic Anarchy" destacam-se pelos refrões melódicos e poderosos, desenhados especificamente para serem cantados em uníssono nos grandes festivais.

Destaques das Faixas

  • "Psychotic Imperator": Uma composição "cinematográfica" com secções assustadoras e amostras de corais, mostrando o lado mais ambicioso do grupo.

  • "Combatants": Exibe a destreza rítmica e o groove único que o Kreator aperfeiçoou nos últimos anos.

  • "Loyal to the Grave": O final do álbum é anunciado por um sino sinistro. É uma faixa de ritmo moderado, com excelentes guitarras e um fluxo melódico soberbo, encerrando o disco de forma épica.

Estética e Produção

A arte da capa, criada por Zbigniew Bielak (conhecido pelo seu trabalho com os Ghost), é um presente para os fãs veteranos, contendo referências visuais a álbuns clássicos como Coma of Souls, Out of the Dark … Into the Light e Pleasure to Kill. A produção da Nuclear Blast garante que cada riff soe como uma martelada cirúrgica.

O Veredito Final

Krushers of the World é, sem dúvida, um forte candidato a Álbum do Ano. O Kreator prova que é possível envelhecer com dignidade e manter a relevância no topo do Metal extremo, entregando um disco dinâmico que não compromete o peso em prol da melodia, mas que sabe usar ambas com maestria.

Nota: 9/10

Recomendado para: Fãs de Thrash Metal clássico e moderno, e qualquer pessoa que queira ouvir o estado da arte do metal europeu em 2026.


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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Petra - Hope (2026) USA

O álbum "Hope" (2026) marca um dos regressos mais aguardados e improváveis da história do Rock Cristão. Após mais de 20 anos desde o último disco de material inédito (Jekyll & Hyde, 2003), a lendária banda Petra prova que o seu "som de rocha" não só sobreviveu ao tempo, como se adaptou com uma vitalidade surpreendente.

O lançamento oficial ocorreu a 5 de janeiro de 2026 (digital) e 16 de janeiro de 2026 (físico), via Girder Music.


O Contexto do Regresso

O que começou como uma digressão de 50.º aniversário transformou-se numa centelha criativa para Bob Hartman e John Schlitt. O álbum é uma celebração da longevidade, apresentando a formação clássica recente: Hartman (guitarras), Schlitt (voz), John Lawry (teclados), Greg Bailey (baixo) e Cristian Borneo (bateria).

Sonoridade: Entre o Clássico e o Experimental

A crítica (incluindo a CCM Magazine e Jesusfreakhideout) destaca que o álbum não tenta apenas copiar o passado, mas arrisca em novos territórios:

  • O Lado Rock: A abertura com "Filthy Lucre" é descrita como um soco no estômago, com um riff pesado que remete à era Jekyll & Hyde. "Skin in the Game" e "Kiss the Coals" mantêm a tradição do Hard Rock de arena que definiu a banda nos anos 90.

  • A Grande Surpresa: A faixa "Oxygen" é o momento mais comentado do disco, onde o Petra experimenta com ritmos de reggae. Embora pareça arriscado, a crítica elogiou a execução natural e a mensagem lírica.

  • Toques Modernos e Nostálgicos: "We Rejoice in Hope" traz uma energia que mistura o som clássico de teclados de John Lawry com uma estrutura quase pop-punk, criando um hino de celebração contagiante.

Destaques das Faixas

  1. "Deliver Us": O single de avanço. É o Petra clássico — uma oração corporativa em forma de rock melódico, com John Schlitt a provar que, aos 75 anos, ainda alcança notas que muitos vocalistas jovens invejariam.

  2. "Looking Back": Uma balada introspectiva onde Bob Hartman abre o coração sobre o legado da banda e a fidelidade de Deus. Tem sido comparada ao estilo melódico dos Beatles ou até de música country/folk.

  3. "Thorns": Uma canção de ritmo médio que foca na superação através das provações, elevando-se como um dos pontos altos da composição de Hartman.

Veredito Final

Hope é um triunfo da perseverança. O álbum consegue equilibrar a produção polida moderna com o espírito orgânico dos anos de ouro da banda. Não soa a um grupo "reformado" a tentar ganhar dinheiro com a nostalgia, mas sim a uma banda que ainda tem algo relevante a dizer.

Liricamente, o Petra mantém-se fiel à sua missão: teologia sólida aplicada às lutas da vida moderna. Se este for o "canto do cisne" da banda, é uma despedida majestosa. Se for o início de uma nova fase, o Rock Cristão acabou de recuperar os seus reis.

Nota: 8.5/10 

Destaques: "Filthy Lucre", "Deliver Us", "Oxygen" (pela audácia) e "Looking Back". Recomendado para: Fãs de Petra de todas as eras e qualquer apreciador de Classic/Hard Rock que valorize técnica e mensagem.