sábado, 25 de outubro de 2025

Warrant - The Speed Of Metal (2025) Alemanha

The Speed Of Metal, lançado em 2025 pela Massacre Records, marca o aguardado regresso do veterano quarteto alemão de Speed/Heavy Metal Warrant. Fundada em 1983, a banda de Düsseldorf é conhecida pelos seus clássicos First Strike (1984) e The Enforcer (1985). Este álbum é uma celebração e um reencontro com as suas raízes, prometendo e entregando exatamente o que o título sugere.

O Som: Acelerado, Melódico e Sem Compromissos

O álbum faz uma ponte bem-sucedida entre a energia crua dos anos 80 e uma produção moderna e potente.

  • Speed Heavy Metal de Raiz: A banda mantém-se fiel ao seu estilo, um Speed Metal que se aproxima do Thrash mais melódico (como Flotsam and Jetsam ou Overkill mais antigos) e do Heavy Metal tradicional (Accept/Priest/Maiden). É um álbum que faz o headbang ser inevitável.

  • Produção Impecável: A produção é um ponto alto. Gravado e misturado por Martin Buchwalter, o som é "gordo" e maciço, dando às guitarras um fundamento rico e aos riffs a clareza e o punch necessários. Os tambores são secos e precisos, e o baixo ressoa com presença, garantindo que a "velocidade" do metal seja sentida com peso.

  • Guitarras em Dueto: Com a adição do guitarrista Adrian Weiss, o Warrant regressa a uma formação de dois guitarristas, potenciando a parede de som, leads em uníssono limpos e solos melódicos que contam uma história sem se limitarem a descarregar notas.

  • Vocal Focado: O vocalista e baixista Jörg Juraschek tem uma voz melódica, adequada ao Power Metal, mas com a aspereza e a atitude que o Speed/Thrash exigem. Ele fraseia com autoridade e carisma.

Destaques das Faixas

  • "Blood Moon Prelude" / "Cut Into Pieces": Depois de uma introdução atmosférica ("Blood Moon Prelude"), o álbum explode com “Cut Into Pieces”, dando o tom para a seção mais agressiva.

  • "Demons": Esta faixa é frequentemente citada como uma das melhores e mais agressivas do álbum. É um rocker rápido e sombrio com um riff que remete ao início do Running Wild, atacando o "centro de banger" do cérebro.

  • "Falling Down": É outra granada Speed/Thrash, mostrando o lado mais rápido e thrasher da banda.

  • "Windy City" (Cover de The Sweet): Uma escolha surpreendente. Esta versão do clássico glam/rock é interpretada com o som True Metal da banda. Embora alguns críticos a achem um pouco longa, ela serve para mostrar a vertente mais Traditional Metal e melódica do Warrant.

  • "Scream for Metal": O hino de encerramento é um grito de guerra, um final de máxima velocidade que presta homenagem ao underground do Metal dos anos 80.

O Veredito

The Speed Of Metal é um trabalho que preenche a lacuna de 11 anos desde o seu último álbum e honra a sua história de quase quatro décadas. O Warrant não tenta ser o novo Kreator ou Helloween, mas sim a versão mais polida e potente de si próprio.

Embora o álbum possa não ter muitos momentos verdadeiramente inovadores, ele entrega um Speed Heavy Metal confiável, bem executado e extremamente satisfatório. O retorno à formação de quatro peças e a produção "gorda" fazem com que este álbum seja um regresso triunfal para os fãs da velha guarda e uma introdução surpreendentemente fresca para novos ouvintes de Speed Metal da Alemanha.

Nota: Bom ( 8/10)

Recomendado para: Fãs de Speed Metal da Teutonic Scene (Running Wild, Helloween inicial), Thrash Metal melódico, e qualquer pessoa que goste de Heavy Metal Old School com a energia no máximo.



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Ronnie Romero - Backbone (2025) Chile

Backbone, o mais recente álbum de originais do aclamado vocalista chileno Ronnie Romero (conhecido pelo seu trabalho com Ritchie Blackmore's Rainbow, Michael Schenker Group e Vandenberg), é um álbum que marca a sua consolidação definitiva como um artista a solo no cenário do Heavy Metal e Hard Rock. Lançado pela Frontiers Music, Backbone é uma declaração ousada e dinâmica que demonstra o amadurecimento criativo de Romero.

O Som: Metal Clássico com Espírito Épico

O álbum segue o caminho iniciado com Too Many Lies, Too Many Masters (2023), mas com uma notável melhoria na composição e na produção, o que lhe confere um som mais rico, poderoso e mais focado na tradição de grandes nomes como Dio, Rainbow e Black Sabbath.

  • Vocal Imponente: A voz de Romero, frequentemente comparada a ícones do género, está no seu auge. Ele demonstra ser um "poderoso motor" do Classic Rock, com uma entrega que é poderosa, expressiva e capaz de transformar cada faixa num hino.

  • Foco no Classic/Heavy Metal: Backbone é um passo atrás da abordagem mais frenética e por vezes Power Metal de seu álbum anterior. As canções têm mais espaço para respirar, permitindo que Romero explore o seu registo mais melódico e épico. A colaboração com figuras como Russ Ballard (que co-escreveu "Hideaway") e Kee Marcello (Europe) adiciona credibilidade e punch às composições.

  • Produção e Banda: O álbum é coproduzido por Romero e mixado/masterizado pelo seu guitarrista, José Rubio, resultando num som maciço e autêntico. A banda de apoio está perfeita, fornecendo a "espinha dorsal" de que a voz de Romero precisa.

Destaques das Faixas

  • "Backbone" (Título): A faixa-título é um destaque, com uma introdução de órgão que dá lugar a um riff contido e a uma secção vocal de ritmo médio que evoca imediatamente o trabalho de Dio com o Rainbow. É uma faixa imensamente impressionante, com uma entrega vocal prolongada que lhe confere uma sensação épica e monumental.

  • "Lost In Time": Apresenta uma óbvia influência do estilo vocal de Dio, mas utilizada de forma eficaz.

  • "Black Dog": Uma faixa mais rápida, um straight hard rock que, apesar de ser o tema mais veloz, alguns críticos acham que poderia ter sido melhor como faixa de abertura para contrastar com os tons épicos que a precedem.

  • "Eternally": Uma faixa que se destaca com uma linha de guitarra irresistível e um gancho melódico que a torna um earworm imediato.

  • "Lonely World": Descrito como um "Deep Purple cracker" (deep purple cracker), sugere um riff enérgico e cativante de Classic Rock.

O Veredito

Backbone é, inegavelmente, um marco importante na carreira a solo de Ronnie Romero. Embora o álbum não seja totalmente inovador – ainda ecoando os gigantes do género – ele representa a sua declaração mais pessoal, audaz e consistente até à data.

Romero demonstra ter evoluído para uma persona de Hard Rock distintiva, movendo-se além do papel de "vocalista de tributo de luxo" para se afirmar como um compositor com a sua própria voz. É um álbum consistentemente forte que agradará imensamente aos fãs da tradição de Rainbow e Dio.

Recomendado para: Fãs de Ronnie James Dio (solo), Rainbow (era Dio), Michael Schenker Group e apreciadores de Heavy Metal Melódico de alta qualidade com um forte sentimento Classic Rock. Se procura a ascensão de Romero como um artista a solo, este é o seu álbum mais recompensador.


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quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Cyanide - 21 Gun Salute (2025) USA

21 Gun Salute, o novo álbum da banda americana de Hard Rock Cyanide, lançado em 2025 pela Kivel Records, é uma homenagem descarada e bombástica à era dourada do Hair Metal e do Rock Melódico do final dos anos 80 e início dos anos 90.

Para os fãs do género que sentem falta dos hinos de estádio, dos refrães gigantescos e da produção polida, este álbum serve como um regresso bem-vindo a uma época em que o Rock & Roll tinha a sua dose de glam.

O Som: Hinos para o Exército do Rock & Roll

O álbum não tenta reinventar a roda; em vez disso, celebra e executa com competência os pilares do Hard Rock de Los Angeles e do Metal Melódico.

Hard Rock Padrão Ouro: As canções são construídas em torno de riffs poderosos, leads de guitarra virtuosos e refrães projetados para serem cantados por grandes multidões. O Cyanide toca um Hard Rock que é simultaneamente potente e melódico.

Produção Limpa e Enérgica: A produção (típica do selo Kivel Records, especialista no género) é nítida e enérgica, dando espaço para que as guitarras de Rikki Sterling e Larry Cassiano se destaquem, seja com riffs agressivos ou solos harmonizados.

Vocais Marcantes: O vocalista Rob Hussey é o centro das atenções, entregando as linhas vocais com a atitude e o alcance exigidos pelo género, dominando as baladas e os rockers de ritmo acelerado.


Destaques das Faixas

A lista de faixas mostra uma banda que sabe exatamente o que o seu público espera, com títulos que refletem a atitude e o espírito do Hair Metal.

"21 Gun Salute" (Título): O tema-título é um hino cativante de Hard Rock, servindo como a sua "saudação" à velha escola. É uma peça central que encapsula o som do álbum.

"Fireball" e "Social Media Disease" (com Oz Fox dos Stryper): A inclusão de convidados como Oz Fox (Stryper) e Jeff Duncan (Armored Saint) em faixas como "Fireball" e "Social Media Disease" reforça as credenciais heavy/glam do álbum. Estes rockers de ritmo elevado oferecem a dose de agressividade e virtuosismo que os fãs do Heavy Metal Melódico apreciam.

"Sweet Little Trash" e "Slip N Slide": Estas faixas tendem a oferecer o groove e o lirismo mais sleazy e festivo, reminiscente de bandas como Mötley Crüe ou Warrant.

"I Love You": Todos os grandes álbuns de Hair Metal precisam de uma power ballad sólida, e o Cyanide provavelmente entregou a sua com esta faixa de encerramento, demonstrando a capacidade da banda de injetar emoção nas suas composições.


O Veredicto

21 Gun Salute dos Cyanide é um álbum que existe para servir uma base de fãs muito específica: aqueles que anseiam pelo Hard Rock dos anos 80, puro e sem remorsos. A banda não inova, mas executa o estilo com excelência e convicção.

É um álbum para ser tocado alto, seja a conduzir ou numa festa. É uma dose de adrenalina nostálgica que prova que, no que toca ao Hard Rock Melódico, ainda há vida para além do Grunge.


Recomendado para: Fãs de Mötley Crüe, Danger Danger, Giant, Warrant e colecionadores do selo Kivel Records. É uma adição sólida à estante de qualquer aficionado por Hard Rock Melódico.

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Preacher Stone - By The Horns (2025) USA

By The Horns, o mais recente álbum da banda de Southern/Classic Rock Preacher Stone, oriunda de Charlotte, Carolina do Norte (EUA), lançado em 2025, é um trabalho forjado na adversidade e entregue com uma honestidade de coração. O álbum sucede a V (2024), e, após a perda de um membro importante, a banda optou por seguir em frente com um som mais enxuto e direcionado pela guitarra, resultando num dos seus trabalhos mais fortes e vitais.

O Som: Rock Sulista, Direto e com Coração

Com apenas nove faixas e pouco mais de trinta e dois minutos, By The Horns é descrito como um triunfo "sem enchimento e só matador" (no-filler, all-killer). É uma masterclass em como fazer um álbum de rock clássico perfeitamente ritmado.

Foco no Riff: O álbum carrega a marca registada do Rock Sulista, mas com um foco renovado nas guitarras duelantes de Ben Robinson e Darrell Whit. A sonoridade é menos polida e mais suja e gritty, o que evoca o espírito de bandas como Lynyrd Skynyrd e Black Star Riders.

Vocal "Encharcado em Bourbon": A voz de Ronnie Riddle é um destaque constante, descrita como "gasta pelo uísque, mas com alma e garra". O seu estilo vocal, que combina o gravel com uma entrega calorosa, é o anfitrião perfeito para as histórias de "homem comum" da banda.

Ritmo Trovoador: A secção rítmica, com Jim Bolt no baixo e Josh Wyatt na bateria, é sólida e poderosa. Eles fornecem a batida forte e o groove necessários para sustentar as canções, sem nunca sobrecarregar os outros instrumentos.


Destaques das Faixas

"By The Horns" (Título): O abre-alas que arranca com um rugido, carregado de um riff matador e um refrão irresistível. Um hino boot-stomping que estabelece imediatamente o tom do álbum.

"Saddled And Rode": Uma faixa de alta octanagem que conjura a sensação de uma noite num bar enfumaçado, com muita atitude e solos de guitarra abrasadores que são uma marca registada da banda.

"The Devil You Know": Uma faixa com um groove mais profundo, remetendo aos Black Star Riders. É um "peso pesado" foot-stomping com um riff infeccioso e um cocky ritmo funk-rock que se encaixa perfeitamente na reputação da banda.

"Blessing And A Curse": Esta faixa mergulha em território bluesy, com ecos de bandas como os Bad Company, destacando o vocal soulful de Riddle.

"Think By Now": A faixa de encerramento é um rocker suado no estilo AC/DC, mas com um refrão melódico que quase rouba o espetáculo no final, terminando o álbum em alta.


O Veredito

By The Horns é uma prova da resiliência e da pura qualidade do Preacher Stone. Nascido da tristeza, mas transbordante de vitalidade, é um trabalho catártico e de afirmação da vida. A banda conseguiu, com a mudança de foco para um som mais orientado para a guitarra, subir a fasquia estabelecida pelo aclamado V.

O álbum é puro Southern Rock da velha guarda, rico em qualidade e boogie, que permite ao ouvinte "imersão e desligamento" do mundo, sem sacrificar a complexidade musical. Não é apenas bom Rock Sulista; é um excelente Rock Americano com coração, alma e grandes histórias.


Recomendado para: Fãs de Lynyrd Skynyrd, Black Stone Cherry, Blackberry Smoke e qualquer pessoa que aprecie um Classic Rock com groove e integridade. É um álbum para se ouvir repetidamente.

The Southern River Band - Easier Said Than Done (2025) Austrália

Easier Said Than Done, o quarto álbum de estúdio dos rockers australianos The Southern River Band (TSRB), lançado a 17 de outubro de 2025 pela Civilians, é um trabalho gloriosamente cru, suado e totalmente descomprometido com as tendências modernas.

A banda de Perth solidifica o seu lugar como uma das melhores exportações de Rock & Roll da Austrália, entregando um álbum que é a essência do pub rock australiano e do classic rock americano dos anos 70 e 80.

O Som: Rock de Estádio com Boogie de Bar

O álbum, produzido pelo conceituado Nick DiDia (conhecido por trabalhar com Pearl Jam e Bruce Springsteen) e gravado ao vivo em estúdio em Byron Bay, capta pela primeira vez a energia inigualável que o TSRB exibe nos seus espetáculos.

Puro Rock & Roll: O álbum é um soco de 12 faixas que percorre a bravata do pub rock e a arrogância do glam-rock. Não há truques nem produção artificial; é guitarrada, groove e crueza, tal como o rock & roll deve ser.

Influências Clássicas: Os TSRB não escondem as suas influências, transformando-as numa "brilhante colagem musical":

Harmonias de Guitarra: Muitas faixas apresentam as famosas harmonias de guitarra no estilo Thin Lizzy, especialmente em canções como "One Last Dance".

O Boogie Australiano: O álbum tem a vibração e a pulsação do AC/DC e dos The Angels nos seus riffs mais diretos, juntamente com o boogie dos The Rolling Stones em faixas como "Bad Luck Baby, Bye Bye".

O Sleaze Americano: Há um toque de sleaze no estilo Aerosmith e The Black Crowes no Hard Rock com blues de "Suits Me Just Fine".

O Tuga Carismático: O vocalista Cal Kramer, com a sua atitude e o seu mullet icónico, lidera a banda com um rosnado e um sorriso. O seu canto, complementado pelo seu banter australiano bem-humorado, é a alma do álbum.


Destaques da Composição:


"Fuck You, Pay Me": Um hino de classe trabalhadora, duro e direto, que cumpre exatamente o que o título promete.

"Don't Take It To Heart": A abertura que arranca a toda a velocidade e estabelece o ritmo consistente do álbum.

"No Such Time": Uma faixa surpreendente, oferecida por ninguém menos que Bernard Fanning (Powderfinger). É um earworm melódico cheio de groove que se encaixa perfeitamente no ADN da banda.

"One Of These Nights (I'll Be Gone)": O encerramento do álbum, que mostra uma ternura inesperada. É uma balada mais suave e reflexiva, com toques de country, provando que a banda tem profundidade por baixo da bravata.


O Veredicto

Easier Said Than Done é um lembrete forte de que o verdadeiro rock & roll está vivo e a prosperar, feito com alma, suor e alguns palavrões. Embora alguns críticos considerem o som previsível (o que é inerente ao género), é uma previsibilidade que agrada, pois evoca o melhor da música rock das últimas décadas.

Para quem sente falta daquele som autêntico que parece ter saído de um amplificador Marshall a ferver num pub, este álbum é uma audição obrigatória.


Veredicto Final: Uma odisseia de Rock & Roll que deve ser ouvida alto. E depois ainda mais alto. Os TSRB estão a voar a bandeira do rock australiano a uma escala global e este álbum é o seu manifesto.

Recomendado para: Fãs de AC/DC, Thin Lizzy, The Black Crowes, The Darkness e para quem adora a energia do pub rock ao vivo.

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quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Human Fortress - Stronghold (2025) Alemanha

Stronghold, o oitavo álbum de estúdio dos veteranos do Epic Power Metal alemão Human Fortress, lançado a 17 de outubro de 2025 pela Massacre Records, marca um ponto de viragem e um regresso triunfante para a banda.

Após o seu último álbum de estúdio, Reign of Gold (2019), o Stronghold apresenta-se como um trabalho mais direto e agressivo, resultante de uma mudança crucial na sua formação: a ausência de um tecladista a tempo inteiro levou a banda a concentrar-se mais no essencial.

O Som: Mais Pesado, Mais Épico, Menos Sinfónico
O álbum foi produzido pela própria banda e misturado e masterizado pelo famoso Alexander Krull (Atrocity, Leaves' Eyes), o que lhe confere um som potente e polido.

Domínio da Guitarra: A ausência proeminente dos teclados (que historicamente davam ao Human Fortress o seu toque sinfónico) permitiu que os guitarristas Todd Wolf e Volker Trost assumissem o controlo total. O resultado é um som mais agressivo e focado no riff, com mais peso do que os seus antecessores. A essência do Epic Heavy Metal está mais forte do que nunca, com riffs crunchy e linhas melódicas superiores.

Vocais de Mestre: O vocalista brasileiro Gus Monsanto (ex-Tears of Anger, ex-Revolution Renaissance) está impecável. A sua voz está um pouco mais distante do agudo típico do Power Metal, assemelhando-se a uma mistura entre o registo de D.C. Cooper e Ralf Scheepers. Monsanto entrega uma performance forte e comovente, encaixando-se perfeitamente nos temas mais sombrios do álbum.

Temas Sombrios e Profundos: Liricamente, o Stronghold explora o lado mais sombrio do ser humano, abordando a dor, a redenção e "o abismo da alma humana", o que complementa a sonoridade mais pesada.


Destaques das Faixas

"Stronghold" (Título): Uma abertura típica do Euro-Power Metal, cativante, melódica e com o tema principal reconfortante que os fãs esperam.

"The Abyss of Our Souls" (Single): Considerada uma "bomba épica para o ouvido", esta faixa de Metal Melódico capta a intensidade emocional e a narrativa dramática do álbum. É descrita como tendo um chorus que "não sai da cabeça".

"Pain" e "Silent Scream": Estas faixas tendem para um lado mais obscuro e pesado, fazendo lembrar bandas como os Mob Rules, enquanto outras como "Road to Nowhere" trazem um toque Hard Rock mais catchy.

"Mesh of Lies": Uma das faixas de destaque, com uma abundância de interação melódica de guitarra e uma bateria vigorosa, que mostra a banda no auge da sua forma.


O Veredicto

Stronghold é um baluarte sónico que equilibra a agressão moderna com o Metal clássico. Não reinventa a roda, mas cumpre o que promete: Power Metal melódico, épico e bombástico da mais alta qualidade alemã.

Para os fãs de longa data, a redução dos elementos sinfónicos poderá ser uma surpresa, mas a ênfase renovada nos riffs e a produção poderosa resultam num dos trabalhos mais firmes e coesos da sua carreira recente. O álbum reafirma o estatuto do Human Fortress como uma instituição respeitada do Epic Metal alemão.


Recomendado para: Fãs de bandas como Orden Ogan, Mob Rules, Kamelot (primeira era) e Helloween. Um álbum essencial para quem procura Power Metal pesado e catchy.

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Sintage - Unbound Triumph (2025) Alemanha

Unbound Triumph, o segundo álbum completo dos alemães Sintage, lançado a 17 de outubro de 2025 pela High Roller Records, é uma injeção de adrenalina pura para os fãs do Heavy Metal e Speed Metal tradicional. A banda de Leipzig afirma-se como um dos nomes mais promissores da Nova Onda do Thrash/Heavy Metal Tradicional (NWOTHM), transportando o ouvinte diretamente para o ano de 1985, mas com a produção polida e a precisão técnica de 2025.

O Som: Metal Clássico com Harmonias em Dobro

A maior evolução neste álbum é a adição de um segundo guitarrista, Chili, que permite aos Sintage expandir a sua paleta sonora. O resultado são guitarras duplas harmonizadas que brilham com força e emoção, lembrando a complexidade instrumental de heróis dos anos 80 como Iron Maiden e, por vezes, a precisão melódica de guitarristas como Marty Friedman.

Riffs Crocantes e Velocidade: O álbum está repleto de riffs cortantes e ritmos incansáveis que se movem entre o Heavy Metal clássico e o Speed Metal feroz. Faixas como "Ramming Speed" (cujo nome é uma declaração de intenções) e "Cutting the Stars" são explosões poderosas que cumprem a missão de fazer o headbanging inevitável.

Dinâmica e Melodia: Ao contrário do seu álbum de estreia mais agressivo, Paralyzing Chains (2023), Unbound Triumph oferece mais variedade e desenvolve as habilidades de composição da banda.

"Electric Walls" e "Beyond the Thunderdome" (uma referência clara a Mad Max) são mid-tempos mais pesados, com mudanças de ritmo precisas e arranjos de riffs de alto nível.

A balada "Silent Tears" é uma demonstração de habilidades de composição mais profundas, mostrando um lado progressivo e emocional.


Voz Clássica (e Crua): A performance do vocalista Randy é forte, alcançando agudos com poder e moldando uma voz que, com o uso de reverb, capta a tonalidade crua e raw dos anos 80. Embora a mistura vocal possa ser ligeiramente irregular em alguns momentos, isso apenas realça o som autêntico da época.

O Épico no Final: O álbum fecha com "One With the Wind", uma das faixas mais longas, que começa com velocidade e culmina num outro épico, mostrando que a banda começa a explorar territórios mais ambiciosos do Epic Metal.


O Veredicto

Unbound Triumph é o som de uma banda jovem que domina as armas do Metal Clássico e as aprimora para o século XXI. É um álbum que pega no ouvinte pelo pescoço e o arrasta, sem pedir desculpas. A dedicação da Sintage à escola do Heavy Metal e Speed Metal dos anos 80 é contagiante e evidente em cada riff.

Se procuras um álbum de metal que te faça querer pegar numa guitarra aérea, aumentar o volume ao máximo e sentir a força da nostalgia (com o bónus da execução moderna), Unbound Triumph é o teu bilhete. Coloca um sorriso no rosto de qualquer headbanger.


Nota: 8.2/10. 

É uma laje estrondosa de aço puro.

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sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Sabaton - Legends (2025) Suécia

Legends, o 11º álbum de estúdio da banda sueca Sabaton, lançado a 17 de outubro de 2025, é uma poderosa reafirmação da sua fórmula vencedora de Power Metal. Após dois álbuns focados exclusivamente na Primeira Guerra Mundial (The Great War e The War to End All Wars), Legends alarga o seu campo de batalha, explorando figuras históricas icónicas de vários séculos.

O Conceito: Uma Galeria de Personagens

A principal mudança em Legends é o seu foco lírico: em vez de se concentrarem num único conflito ou evento, a banda celebra 11 figuras históricas — guerreiros, reis, estrategistas e revolucionários — transformando as suas biografias em hinos de batalha cinematográficos.

O álbum viaja desde os Templários (Templars), passando pelo estrategista cartaginês Aníbal (Lightning at the Gates), o conquistador mongol Genghis Khan (Hordes of Khan), o imperador Napoleão Bonaparte (I, Emperor), o duelista japonês Miyamoto Musashi (The Duelist), a heroína francesa Joana D'Arc (Maid of Steel) e até o rei sueco Gustavo Adolfo (Till Seger).

A Música: Power Metal de Marca Registada
Musicalmente, Legends é Sabaton na sua forma mais pura e pomposa, mas com uma produção ligeiramente mais nítida e cinematográfica.

Fórmula Intacta: A banda não se afasta do seu modelo de sucesso. O álbum é um arsenal de coros de hinos estrondosos, riffs diretos, solos rápidos e a bateria marcial de Hannes Van Dahl. É feito para ser cantado em arenas.

Voz e Melodia: A voz de barítono de Joakim Brodén (também vocalista) é inconfundível. As melodias são fortes e imediatamente reconhecíveis, com um equilíbrio deliberado de metal e arranjos orquestrais.

Destaques da Composição: É notável que este seja o primeiro álbum onde todos os membros contribuíram para o processo de composição, o que poderá ter ajudado a variar ligeiramente o som dentro dos limites da banda.


Pontos Altos:


"Templars": Um hino clássico de Sabaton, com coros Viking viking-like que abrem caminho para Valhalla.

"Impaler": Uma faixa mais pesada e ameaçadora, que alguns críticos comparam ao peso de "Kashmir" dos Led Zeppelin.

"I, Emperor": Uma canção punchy, poderosa e muito catchy sobre Napoleão, que foi muito pedida pelos fãs.

"Till Seger": O encerramento, cantado em sueco, é um toque agradável que regressa às raízes da banda, com a inclusão de um órgão grandioso.


O Veredicto

Legends não é o álbum que reinventa os Sabaton, nem o álbum que traz profundidade a temas já por si óbvios (Júlio César, Napoleão). No entanto, para os fãs da banda, é uma coleção de hinos absolutamente gloriosos que expande o seu "universo cinematográfico de batalha" para um escopo mais vasto, longe das trincheiras da Primeira Guerra Mundial.

Este álbum é para ser apreciado pelo seu poder inabalável, os seus coros triunfantes e o seu espírito divertido, que trata o derramamento de sangue histórico com um entusiasmo grandioso. É um Power Metal de peito aberto, sem subtilezas, que apenas quer que o ouvinte balance a cabeça e levante os punhos.


Nota: 8.5/10


Recomendado para: Fãs de Power Metal épico, Iron Maiden, e qualquer pessoa que procure um álbum que soe como uma banda sonora de filme de guerra de grande orçamento.

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Battle Beast - Steelbound (2025) Finlândia


Steelbound, o sétimo álbum de estúdio dos finlandeses Battle Beast, lançado a 17 de outubro de 2025 pela Nuclear Blast, é uma continuação inabalável da fórmula que a banda tem vindo a aperfeiçoar: Power Metal exagerado, melódico e sem desculpas, com um toque de Pop e Disco Music.

Sob a liderança da vocalista Noora Louhimo (cuja voz poderosa continua a ser a força motriz inconfundível da banda) e do produtor/tecladista Janne Björkroth, Steelbound é um álbum de Rock de "bom-humor", feito para afastar a tristeza e levantar os punhos em uníssono.

O Som: ABBA com Couro e Correntes

Battle Beast nunca teve medo de injetar melodias pop cativantes e ganchos inegáveis no seu heavy metal. Em Steelbound, eles levam esta mistura a novas alturas, resultando num som que os críticos descrevem, de forma divertida, como "ABBA a vestir ganga e couro".

Power Pop Metal: O álbum é dominado por faixas que são simultaneamente heavy e dançáveis. O teclado de Janne Björkroth assume frequentemente o papel principal, e os coros são construídos para explodir no palco, resultando numa energia que é party hard e sincera.

A Voz de Louhimo: A voz de Noora Louhimo é o seu trunfo mais forte. A sua entrega é intensa, poderosa e cheia de atitude, capaz de ir de um grito agressivo a uma melodia sonhadora, mantendo-se consistentemente no auge.

Produção: A produção é nítida, moderna e cheia de pressão, cortesia de Janne Björkroth. Embora alguns puristas do metal possam criticar a falta de peso nas guitarras em certas secções (onde os teclados dominam), o som é inegavelmente "grande" e feito para as arenas.


Destaques das Faixas

O álbum é notavelmente conciso, com pouco mais de 37 minutos, mantendo o ímpeto do início ao fim.

"Steelbound" (Título): Descrita por Janne Björkroth como "pesada e leve ao mesmo tempo", a faixa-título é um hino trovejante de resistência e resiliência. É cativante e irrecusível, casando a intensidade metálica com um ritmo contagiante.

"Twilight Cabaret": A faixa mais peculiar do álbum. Injeta elementos de Samba e Boney M, com uma batida quase caribenha. É extremamente divertida e diferente para a banda, provando que Battle Beast não tem medo de surpreender e abraçar o lado "circo" da sua música.

"Here We Are" / "Last Goodbye": Hinos poderosos e emocionais que celebram a resiliência e o espírito de luta. "Last Goodbye" é uma homenagem à força humana, feita para fazer 100.000 punhos bombear no ar.

"Riders Of The Storm": Uma faixa incrivelmente cativante, com uma energia "goofy" que lembra temas mais antigos da banda, como "Bastard Son Of Odin".

"Blood Of Heroes": Apresenta uma sensação quase "pirata" no riff principal, mas rapidamente se transforma num grande refrão típico de Battle Beast.


O Veredicto

Steelbound é a prova de que Battle Beast continua a crescer, misturando os melhores elementos dos seus álbuns anteriores (Bringer of Pain, No More Hollywood Endings e Circus of Doom) com ideias novas e ainda mais ousadas.

A banda não está a reinventar a roda do Power Metal, mas está a aperfeiçoar um subgénero próprio: o Power Metal de Festa e Bom-Humor. Embora a mistura pop e metal possa ser divisiva, para quem aprecia o gênero, o álbum é inegavelmente divertido e irresistível, feito com uma confiança contagiante.


NOTA: 7.8/10  

É um álbum que repele a tristeza, cheio de ganchos memoráveis, para fãs de Nightwish, Within Temptation e Epica, que não têm medo de dançar.

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terça-feira, 14 de outubro de 2025

Andy And The Rockets - Casino (2025) Suécia

Andy And The Rockets regressam com Casino, um álbum que não só cimenta o seu lugar no florescente cenário do Rock Melódico Escandinavo (Scandi-Rock) mas que também se destaca como uma das melhores ofertas do género em 2025. O quarteto sueco, liderado pelo vocalista Andreas Forslund ("Andy"), entrega um disco de 12 faixas que é puro melodia, energia e poder de refrão - o tipo de rock feito para grandes palcos.

O Som: Hard Rock Melódico de Classe Mundial

Se o seu álbum anterior, Incognito (2023), foi um ponto de viragem para uma abordagem mais moderna, Casino é a culminação dessa evolução. O som é caracterizado por uma produção extremamente polida e "brilhante" (cortesia de Erik Mårtensson, dos Eclipse), que confere aos riffs e aos refrões uma força e clareza excepcionais.

A banda mistura influências de Hard Rock Clássico (AC/DC, Guns N' Roses), com a sensibilidade melódica inerente ao Rock Escandinavo (Eclipse, H.E.A.T., Treat) e um toque moderno, por vezes remetendo para o Hard Rock Alternativo (Nickelback, Daughtry).

Energia e Dinâmica: O álbum irradia energia e soa como se a banda estivesse a tocar ao vivo. As guitarras são poderosas, a secção rítmica (Filip Westgärds no baixo e Max Marcusson na bateria) é implacável e o uso de amplificadores "reais" (em vez de emulações digitais) confere um calor autêntico.

O Fator Refrão: A marca mais forte do álbum são os refrões explosivos e fáceis de cantar. A capacidade sueca para a melodia está em plena exibição, garantindo que a maioria das faixas se tornem earworms.

Destaques das Faixas

"I'm Alive!": A faixa de abertura é uma fatia de puro Scandi-Rock de alta voltagem. É positiva, cheia de adrenalina e estabelece o ritmo acelerado do álbum, com um toque de riffage à Treat.

"Your Touch Is Too Much": Um rock and roll mais "sujo" e feito para as rádios, com um hook tão grande que é praticamente impossível resistir.

"I'll Die If You're Done": A principal power ballad do álbum, emotiva, grandiosa e lindamente arranjada. É uma das faixas favoritas da própria banda, com grande paixão na performance vocal e excelentes solos de guitarra.

"Cyanide": Outro hino bombástico. Começa mais temperamental e rapidamente explode no refrão, mostrando a competência da banda em criar melodias memoráveis e um belo solo de Robin Lagerqvist.

"Wild Ones": Uma das favoritas da crítica, com um ritmo contagiante e uma melodia que fica a ressoar nos ouvidos, demonstrando a mestria da banda em harmonias vocais.

"Heartbreak City": O encerramento fornece uma nota final poderosa, um heavy rocker moderno com uma melodia mais sombria, que amarra o álbum na perfeição.


Veredicto

Casino é um álbum que prova que a fórmula do Hard Rock Melódico não precisa de ser reinventada para ser excelente. Os Andy And The Rockets pegam na fórmula clássica e injetam-lhe uma vitalidade, sinceridade e produção contemporânea de classe mundial.

Para os fãs de Eclipse, H.E.A.T., Treat e qualquer pessoa que aprecie um rock com grandes riffs, solos "quentes" e refrões feitos para serem gritados, este álbum é uma audição obrigatória. É um trabalho confiante, cativante e genuinamente revigorante.


Nota: 8.5/10 (Melodic Rock feito na perfeição. Um clássico instantâneo do género.)