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quinta-feira, 2 de julho de 2026

Moonspell - Far From God (2026) Portugal

Cinco anos após o introspectivo Hermitage, os Moonspell regressam com Far From God (2026), um álbum que não só marca um retorno às raízes góticas da banda, como reconfigura o seu ADN para uma era mais madura e sofisticada. Longe de ser um exercício de nostalgia fácil, este novo trabalho é uma colisão entre o romantismo sombrio do "gótico vintage" e a agressividade metálica que sempre foi a espinha dorsal dos portugueses.

Avaliação: Moonspell – Far From God (2026)

A Escuridão como Atmosfera, o Metal como Força

O que separa Far From God de outras incursões pelo Rock Gótico é a recusa da banda em suavizar as arestas. Enquanto nomes como HIM ou Sentenced (numa fase posterior) caminharam para um som mais comercial e polido, os Moonspell mantêm a faca entre os dentes. A produção equilibra na perfeição a atmosfera cinematográfica que aprenderam a dominar em Hermitage com o peso visceral que o seu público exige.

Mapeamento da Jornada Sombria

Faixa

Atmosfera / Estilo

Destaque

"Cross Your Heart"

Gótico Convidativo

O impulso inicial, energético e moderno.

"Biblical"

Sombria/Cinematográfica

O baixo dominante e a progressão para a agressividade visceral.

"For the Love of Mortals"

Romântica/Melancólica

Onde o anseio e os sussurros criam o ambiente gótico puro.

"Our Freedom to Fall"

Crua/Vibrante

A mudança de ritmo que eleva a atitude sombria a um nível impactante.

"Far From God"

Sombria/Cativante

O tema central que sintetiza o equilíbrio entre o "pesado" e o "obscuro".

O Equilíbrio da Maturidade

O álbum de 8 faixas é um exercício de contenção e explosão. Fernando Ribeiro, mais uma vez, demonstra uma capacidade camaleónica de transitar entre o sussurro contido — que nos atrai para o coração da melancolia — e o grito visceral, que nos relembra que esta é uma banda de Metal.

A guitarra apresenta um toque "lúdico" em momentos inesperados, uma evolução técnica que não retira a atitude sombria, mas confere ao disco uma textura muito mais rica. Não há aqui o perigo de "retrocesso"; este é um disco que entende que o Gótico não é apenas uma estética do passado, mas uma forma de sentir o mundo, mesmo quando o mundo hoje é mais cínico e moderno.

"Far From God é o disco que os fãs esperavam há anos: uma autêntica viagem pelo lado mais macabro e romântico dos Moonspell, sem nunca sacrificar a honestidade brutal do seu som metálico."

O Veredito Final

Far From God é um triunfo de atmosfera. É um disco que se sente tanto quanto se ouve. Com uma duração perfeita, sem preenchimentos, cada uma das 8 faixas é uma peça necessária neste mosaico de desolação e beleza. É um regresso triunfal para uma das bandas mais resilientes e inteligentes da cena internacional.

Nota: 9.2/10

Destaques: "Biblical", "Our Freedom to Fall", "Far From God".

Recomendado para: Fãs de Moonspell (era Wolfheart/Irreligious), entusiastas de Gothic Metal com peso e qualquer pessoa que aprecie música que consegue ser simultaneamente desoladora e contagiante.


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segunda-feira, 1 de março de 2021

Moonspell - Hermitage (2021) Portugal

As lendas portuguesas Moonspell marcam seu regresso com um lançamento único e cativante intitulado “Hermitage”. Com mais de 52 minutos de música muito emotiva e sonhadora, a banda com certeza vai surpreender seus fãs com este melancólico lançamento de Gothic / Dark Metal. Com um tom mais sombrio no seu som, este lançamento demora um pouco para ser absorvido, mas assim que o faz, oferece alguns dos melhores momentos musicais que a banda já produziu. 
O lançamento começa com o misterioso “The Greater Good” e sua bateria habilidosa ao lado de uma atmosfera enigmática e guitarras em camadas subtis. Os vocais profundos característicos de Fernando Ribeiro dão aquele elemento extra de mistério a esta faixa, enquanto ele vai de passagens limpas a secções ásperas. A atmosfera enigmática continua com a abertura de hard rock de “Common Prayers”, uma música que lentamente introduz elementos atmosféricos adicionais e uma linha de baixo muito épica.
Nos reinos mais suaves e experimentais, faixas como “All or Nothing”, “Solitarian” e “Entitlement” têm uma certa vantagem psicadélica, enquanto a pegada e agressividade tradicionais da banda estão perfeitamente equilibradas na brilhante faixa título do álbum. Nossa faixa favorita tem que ser a épica “The Hermit Saints” e seus arranjos vocais exuberantes perfeitamente sobrepostos às guitarras melódicas características da banda. Esta faixa certamente combina a singularidade dos diferentes elementos do lançamento e o som atemporal da banda.
Fechando o lançamento com as guitarras matadoras de “Apoptheghmata” e a exuberante suavidade atmosférica de “Without Rule”, Moonspell consegue mostrar um lado diferente de si mesmo, mantendo os elementos característicos da banda. Embora possa ser difícil entrar neste lançamento no início, todos os elementos se juntam magistralmente para criar um lançamento muito temperamental que é introspectivo e bastante agressivo. Se tu és fã da banda e não te importas com suas experiências ousadas, “Hermitage” será um dos teus lançamentos favoritos.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Moonspell - 1755 (Limited Edition) (2017) Portugal



Moonspell no seu décimo segundo álbum de estúdio decidiu visitar um momento devastador da história portuguesa no seu novo e surpreendente álbum, 1755.
Poderíamos perdoar uma banda que no seu 25º aniversario de se sentar nos seus louros. Alternativamente, poderias esperar uma vasta experiência para se sentir, e esse é o caso do épico álbum de Moonspell, 1755, que será lançado em 3 de novembro.
Um álbum conceitual construído em torno do terremoto de 1755 que devastou a cidade natal, Lisboa, 1755 vê a banda no seu mais ambicioso álbum. Agarra em elementos sinfónicos em torno de grooves tão ricos que desejas plantar um monte com eles, mas com um senso dramático afiado e um instrumental étnico de compreensão comunicativa que, é uma jornada narrativa que mistura a grandeza com um estilo emocional genuíno apenas realçado pelo fato de que é cantado inteiramente em português.
Agora, podes ouvir 1755 em toda a sua glória robusta e romântica. Se não conheces estes pioneiros portugueses de metal gótico ou se já conheces a sua carreira sempre emocionante, este álbum vai soar como uma revelação, então segura-te na tua cadeira e prepara-te para o irresistível 1755.



sábado, 7 de março de 2015

MOONSPELL - EXTINCT [Deluxe Edition] (2015) PORTUGAL




O que dizer dos meus conterrâneos Moonspell e do seu décimo primeiro disco de originais? Que já são uma banda à escala planetária toda a gente sabe, que tocam um tipo de musica que agrada a uma faixa enorme de terráqueos também já sabemos; mas que o som mudou um bocadinho, se calhar já é novidade.
Pois é, este "Extinct" está um pouco mais melódico, talvez para captar a atenção de uma audiência ainda mais vasta e talvez para a sua interpretação dos sinais que vão surgindo sobre o rápido apróximar de mais uma era da humanidade; sou mesmo dark e gótico não soou?
Pois é assim mesmo a orientação musical destes meus compatriotas, poderosamente gótica e infatuosamente dark. Para que não haja um conflito de interesses, devo dizer que apesar de ser apreciador da banda, não ouço assim com tanta frequência, e estou um pouco alheio de alguns trabalhos anteriores, por sinal muito aclamados pelas hostes seguidoras deste fenómeno português, sim, coisa rara é, diria o mestre Yoda!
Ao ouvir o primeiro destes novos temas, fui remetido mentalmente para dias em que Love Like Blood, The Mission, The Sisters Of Mercy, Nosferatu; entre mais alguns, eram frequentes nas minhas preferências musicais; sim, mas não gosto de me considerar gótico porque gosto de quase tudo o que é rock e isso não faz de mim Thrasher ou Punk. 
A alusão ao gótico mais tradicional e comercial de 80's é muito evidente, sempre tendo em conta que Moonspell vão mais além; Fernando Ribeiro, apela às suas cordas vocais com o mais profundo e extremo sentimento; e instrumentalmente não estou a falar de apenas mais um grupo, são já excelentes e bem dotados músicos, com uma qualidade compositiva invejável; ouçam bem o tema "medusalem" e vão ficar surpreendidos no caso de não conhecerem a banda, Produção e som de topo, nada a dever aos melhores; porque eles são os melhores do género! e se não acreditam, ou não aceitam isto, bem, devem continuar a ouvir o augusto canário e as taiti, com todo o respeito por esses enormes animadores do nosso povo em tempo de romarias; e esqueçam este texto, porque a busca por sentimentos mais profundos e misteriosos da condição humana exprimidos com a mais aritmética e perfeita destreza sonora que silenciosamente acompanha cada sinapse da nossa mente. Isto pode parecer contraditório, confuso, desconexo, mas é assim mesmo, romântico que é o mesmo que dizer gótico. 
Para mim, um disco perfeito; mais aberto, sentimental, melodioso e menos gutural e extreme. Chega a ter melancolia que chora através das guitarras semi-acústicas ou dos solos que as acompanham em rios de lágrimas sonoras, uma Lacrymosa. É assim o tema "Domina". 
Se o vosso espírito não tem essa vertente assim tão sentimentalista, então este disco não é definitivamente para vós, a não ser que queiram entrar em contacto com esse vosso lado mais desconhecido e ou retraído, aí sim, devem mesmo adoptar este disco e esta banda. Dizer que admiram e são seguidores de Moonspell porque é cool não é verdadeiro nem são verdadeiros, alimentem-se sem preconceitos e viverão melhor!
Obrigatório, para não morrerem estúpidos!
McLeod Falou!




Temas:
01. Breathe (Until We Are No More)
02. Extinct
03. Medusalem
04. Domina
05. The Last Of Us
06. Malignia
07. Funeral Bloom
08. A Dying Breed
09. The Future Is Dark
10. La Baphomette
11. Until We Are No Less
12. Doomina
13. Last Of Them
14. The Past Is Darker

Banda:
Fernando Ribeiro - Voz (desde 1989)
Ricardo Amorim - Guitarra (desde 1995)
Mike Gaspar - Bateria (desde 1992)
Pedro Paixão - Teclado e Guitarra (desde 1994)
Aires Pereira - Baixo (desde 2007)