
Há reaparecimentos que nos apanham completamente desprevenidos, e depois há aqueles que parecem fechar um círculo perfeito de nostalgia e alta qualidade. Os suecos Sha-Boom são o epítome do culto efêmero: surgiram em 1988, desapareceram em 1992, deram um breve sinal de vida em 2005 e, agora, após décadas de silêncio, regressam com Another Nail In The Coffin (2026).
E que prego maravilhoso para o caixão da apatia musical. Com o carismático Dag Finn de volta aos vocais, secundado por Jonas Oijvall (teclados) e Thomas Broman (bateria), o verdadeiro superpoder deste álbum reside na aura mágica de Erik Mårtensson (Eclipse) — que acumula funções nas guitarras, baixo, vocais e na produção —, além dos luxuosos vocais de apoio de Thomas Vikström (Therion).
Avaliação: Sha-Boom – Another Nail In The Coffin (2026)
A Máquina do Tempo Escandinava
O som de Another Nail In The Coffin é uma carta de amor direta à era de ouro do hard rock melódico escandinavo, evocando a magia de bandas como Treat, Skagarack e Europe, mas temperada com aquela grandiosidade de coros vocais à Defelsk (Def Leppard) que é simplesmente irresistível. Se ouvires malhas como "Back on the Streets" ou "Let's Go (88)" e não deres por ti a cantarolar com um sorriso no rosto, terás de admitir que és uma alma demasiado rabugenta para a boa música.
Mapeamento dos Hinos e Tropelhos
A Mão de Mårtensson e o Espírito Descontraído
O toque de Erik Mårtensson na produção é evidente: tudo soa cristalino, polido, mas com aquela fibra orgânica de guitarras crocantes e refrões construídos para arenas. Dag Finn continua a cantar com uma autoridade jovial que desmente o passar dos anos.
É verdade que, liricamente, algumas composições navegam por águas um pouco açucaradas — por vezes mais piegas do que uma prateleira de charcutaria —, mas o pecado é totalmente perdoado pela pura e inegável diversão que o álbum proporciona. O ponto alto absoluto surge no dueto explosivo com Linnéa Vikström em "One More Drink for the Road", uma faixa que transpira tanta química e energia contagiante que faz lembrar o melhor do rock de estádio britânico e escandinavo.
"Another Nail In The Coffin não tenta reinventar a roda; ele apenas garante que a roda gira com a máxima lubrificação e diversão possíveis. Deixa-te com um sorriso no rosto e uma dúzia de refrões presos na cabeça."
O Veredito Final
Another Nail In The Coffin é um regresso triunfante e surpreendentemente vigoroso. Os Sha-Boom provam que a boa melodic rock songwriting não tem prazo de validade. Com execuções brilhantes, refrões colantes e uma energia contagiante, este é o disco ideal para afastar qualquer dia cinzento e elevar os espíritos.
Nota: 8.6/10
Destaques: "One More Drink for the Road", "Walk (Far Away)", "Never Stop".
Recomendado para: Fãs de Eclipse, Treat, Europe, Def Leppard e de todo o AOR escandinavo polido e sumarento.


